quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Lado Bom


Joanna de Ângelis

Exila das províncias da tua vida a maldade.

Rebate o pensamento doentio com o saudável,

Corta a rede perniciosa das suspeitas injustificáveis com a tesoura da confiança no teu próximo.

É tormentoso viver armado contra os outros, ver primeiro o lado negativo, detectar a imperfeição.

Ninguém há, na Terra, sem defeitos, como não existe uma só pessoa que não possua também virtudes, por pior que este indivíduo seja.

Procura o lado bom de todos e te descobrirá bem, renovado e afável.

Colcha De Retalhos

(Autor desconhecido. Tradução de Sérgio Barros).

Havia um museu com o piso completamente coberto por belíssimos azulejos de mármore e com uma estátua, toda em mármore, enorme, exibida no meio do salão de entrada. Muitas pessoas vinham do mundo inteiro para admirar a bonita estátua de mármore.

Uma noite, os azulejos de mármore começaram a falar e reclamar com a estátua de mármore:

__ Estátua, isto não é justo, não é justo! Por que vem gente do mundo inteiro, pisa e pisa em todos nós, e só para admirá-la? Não é justo!

__ Meu querido amigo, azulejo de mármore. Você ainda se lembra de quando estávamos, de fato, na mesma caverna? __ Respondeu a estátua.

__ Sim! É por isso que eu acho tudo muito injusto. Nós nascemos da mesma caverna e agora recebemos tratamento tão diferente. Não é justo! __ Ele chorou novamente.

__ Então, Você ainda se lembra do dia que o artista tentou trabalhar em você, mas você resistiu bravamente às ferramentas?

__ Sim, claro que eu me lembro. Eu odiei aquele sujeito! Como pode ele usar aquelas ferramentas em mim, doeu muito!

__ Isso é certo! Ele não pode trabalhar nada em você porque você resistiu em ser trabalhado.

__ Sim. E daí?

__ Quando ele desistiu de você e veio para cima de mim ao invés de resistir como você, eu soube imediatamente que eu me tornaria algo diferente depois dos esforços dele. Eu não resisti . . . Ao invés disso eu agüentei todas as ferramentas dolorosas que ele usou em mim.

__ Mmmmm . . . Resmungou o azulejo.

__ Meu amigo, há um preço para tudo na vida. E nem sempre é fácil. As vezes é muito difícil, doloroso. Mas temos que aprender a suportar os sofrimentos, procurando crescer e aprender para nos transformarmos em algo mais belo. Já que você desistiu de tudo no meio do caminho, você não pode culpar qualquer pessoa que agora pisa em você.

Psicografia Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 12 de abril de 2011

LUTAS


Bezerra de Menezes

Meus Filhos

Permaneça conosco a paz do Senhor!

Recrudescem as lutas. Os anunciados tempos de transição chegam e fragorosas batalhas são travadas.

É indispensável a aferição de valores que devem caracterizar os combatentes. Dificuldades e desafios apresentam-se no planeta em todas as áreas do conhecimento e do comportamento.

As estruturas mal construídas do passado esboroam-se ante o fragor das demolições incessantes. A árvore que não foi plantada pelo Bem é derrubada, e as casas edificadas sobre as areias movediças ruem desastrosamente.

Mas a obra do bem permanece suportando os vendavais, enfrentando todos os desafios.

Não nos preocupemos com esses momentos que nos chegam, estabelecendo entre as criaturas o desequilíbrio e estimulando à debandada. Os discípulos da verdade devem permanecer fiéis aos postulados que abraçam, vivenciando-os.

Não seja, pois, de estranhar, que a incompreensão sitie os nossos passos e obstáculos imprevistos apareçam pela senda que percorremos. Devemos contar com a consciência ilibada e nunca aguardar o aplauso da insensatez.

Nosso modelo é Jesus, para Quem não houve lugar no mundo.

O Codificador igualmente seguiu-Lhe as pegadas e soube arrostar as consequências do messianato a que se entregou, incorruptível e tranquilo.

Lamentamos que as maiores dificuldades sejam intestinas em nosso Movimento, mas compreendemos que as criaturas se demoram em diferentes patamares de consciências, possuindo a ótica própria para observação dos fatos e interpretação da mensagem. Já que não nos é lícito impor a proposta espírita libertadora, não nos preocupemos com as imposições que nos chegam.

Todos estamos informados dos fins dos tempos e o egrégio Codificador da Doutrina asseverou-nos que o mundo de provas e de expiações cederia lugar ao mundo de regeneração.

Através dos tempos se tem informado que essa modificação se dará por meio de fenómenos sísmicos dolorosos; através de lutas cruentas, em guerras intermináveis; mediante os conflitos humanos. No entanto, se observarmos a História, encontraremos todos esses acontecimentos assinalando períodos de transição.

A grande luta deste momento se travará no país da consciência de cada discípulo de Jesus. As convulsões serão de natureza interna. A batalha mais difícil será a da superação das más inclinações, administrando-as e direcionando-as para o Bem.

Por mais difíceis se nos apresentem as acusações, e por mais terrível seja a morbidez direcionada para impossibilitar-nos o avanço, mantenhamos a serenidade.

Que receio nos podem proporcionar aqueles que apenas falam contra nós?!

Atuando no bem e sabendo confiar no tempo, levaremos a mensagem de libertação da Doutrina Espírita às diferentes Nações da Terra, pulcra, conforme no-la legaram os Espíritos por intermédio de Allan Kardec e dos seus discípulos mais dedicados.

O movimento expande-se; nada pode deter a marcha da Doutrina Espírita, nem mesmo aqueles que, dizendo-se adeptos da palavra do Codificador, erguem-se para zurzir-nos com as expressões destrutivas, utilizando-se das armas da impiedade disfarçada de dedicação à Causa.

O servidor da verdade permanece-lhe fiel, não divulgando o mal, mas apresentando o bem; mesmo do erro tirando a melhor parte, aquela que serve de lição para não se voltar ao engano ou não se estabelecerem novos compromissos negativos.

Confiai, filhos dedicados!

Vossos passos na Terra devem deixar sinais que possam servir de roteiro para os que vierem depois.

O nosso compromisso é com Jesus, o Amor, e com Allan Kardec, a razão, para que a religião cósmica da verdade domine os corações humanos, restaurando no planeta a era da legítima fraternidade.

O Espiritismo vem desempenhando o papel para o qual foi codificado.

Não nos detenhamos na análise dos impedimentos, dos erros, mas examinemos a extensão dos benefícios que hoje conduzem milhões de vidas que se norteiam para o Bem.

Não guardemos qualquer ressentimento, nem nos deixemos entristecer ou entibiar, quando as forças parecerem diminuídas.

Não nos permitamos desanimar, porquanto o nosso é um trabalho pioneiro, a nossa é uma tarefa caracterizada pelo estoicismo.

Nossa jornada deve estar assinalada pelo amor, e é natural que ainda não haja lugar para ele entre muitos Espíritos que se encontram em níveis de evolução diferentes.

Avancemos unidos. O ideal de unificação vem do mundo espiritual para a Terra.

Se não formos capazes de discutir as nossas dificuldades idealistas em clima de paz, de fraternidade, de respeito mútuo, de dignificação dos indivíduos e das instituições, que mensagem podemos oferecer ao mundo e às criaturas estúrdias deste momento?!

Tem-se a medida do valor moral do homem pelas resistências que vive nas lutas que trava.

Os ideais tomam-se grandiosos pelo que provocam nos inimigos gratuitos do progresso.

A Doutrina Espírita, repitamos, é Jesus, meus filhos, em nova linguagem perfeitamente compatível com os arroubos da Ciência e os fatos demonstrados pela experimentação de laboratório, assim com pelas conquistas tecnológicas. Mas, a criatura humana, que é o laboratório da própria evolução, no seu encontro com Jesus através da fé racional, clara e nobre, é o campo onde o bem se instalará em definitivo, como célula do organismo social.

E dessa criatura transformada teremos a sociedade melhor que o Espiritismo deve construir.

Fiquem, no passado, todos os problemas-desafios.

Fiquem, no silêncio das nossas palavras e no verbo das nossas ações edificantes, os nossos propósitos de servir, confiando que a casa construída na rocha sobreviverá aos fatores externos que, aparentemente, a ameaçam, e o ideal sobrepairará conduzindo todos ao imenso fanal da plenitude.

Senhor de nossas vidas, prossegue conduzindo-nos!

Ovelhas tresmalhadas que somos do Teu rebanho, apieda-Te da nossa tibieza de caráter, da nossa fragilidade moral e conduze-nos com Tua paciência de Pastor multimilenário, que nos guarda pelas trilhas da evolução.

Despede-nos, Excelente Filho de Deus, enriquecidos de paz e de entusiasmo, na certeza de que nunca nos deixará a sós, mesmo quando, por qualquer circunstância, nos resolvamos afastar de Ti; concede-nos então uma outra oportunidade, permanecendo conosco por todo o tempo.

Que assim seja!

Muita paz, meus filhos.

Que o Senhor permaneça conosco, são os votos do servidor humílimo e fraternal de sempre.

Bezerra

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco

(Extraída do livro Bezerra Ontem e Hoje)

Jornal: ‘O Espírita Mineiro’ Agosto/Setembro 2001

Transcrição de: Filomena Branco

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Busquemos o Melhor

"Por que reparas o argueiro no olho de teu irmão?" – Jesus. (Mateus, 7:3.)

A pergunta do Mestre, ainda agora, é clara e oportuna.

Muitas vezes, o homem que traz o argueiro num dos olhos traz igualmente consigo os pés sangrando. Depois de laboriosa jornada na virtude, ele revela as mãos calejadas no trabalho e tem o coração ferido por mil golpes da ignorância e da inexperiência.

É imprescindível habituar a visão na procura do melhor, a fim de que não sejamos ludibriados pela malícia que nos é própria.

Comumente, pelo vezo de buscar bagatelas, perdemos o ensejo das grandes realizações.

Colaboradores valiosos e respeitáveis são relegados à margem por nossa irreflexão, em muitas circunstâncias simplesmente porque são portadores de leves defeitos ou de sombras insignificantes do pretérito, que o movimento em serviço poderia sanar ou dissipar.

Nódulos na madeira não impedem a obra do artífice e certos trechos empedrados do campo não conseguem frustrar o esforço do lavrador na produção da semente nobre.

Aproveitemos o irmão de boa-vontade, na plantação do bem, olvidando as nugas que lhe cercam a vida.

Que seria de nós se Jesus não nos desculpasse os erros e as defecções de cada dia?

E, se esperamos alcançar a nossa melhoria, contando com a benemerência do Senhor, por que negar ao próximo a confiança no futuro?

Consagremo-nos à tarefa que o Senhor nos reservou na edificação do bem e da luz e estejamos convictos de que, assim agindo, o argueiro que incomoda o olho do vizinho, tanto quanto a trave que nos obscurece o olhar, se desfarão espontaneamente, restituindo-nos a felicidade e o equilíbrio, através da incessante renovação.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 113. Rio de Janeiro, RJ: FEB.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Senhor, Ajuda-me a Perdoar

Senhor, eu gostaria tanto de poder perdoar. Disponho-me a isso. Oro e tenho a impressão de que lavei meu coração de toda mágoa.

Contudo, basta que eu reveja quem me agrediu, caluniou, traiu e todo o sentimento retorna.

Isso está me fazendo muito mal, Senhor. Sinto um peso dentro de mim, um mal-estar e tenho a impressão de que perdi um tanto da capacidade de amar.

Em função do que padeci, tornei-me desconfiado. Quando um amigo me abraça, não me entrego em totalidade. Fico pensando se ele está sendo sincero.

Se não estará, como outros, demonstrando uma afeição que não lhe habita a alma, somente por conveniência. Pior ainda, fico cogitando quando esse amigo me oferecerá o fruto amargo do abandono.

Isso é muito ruim, Senhor, eu sei. Contudo, tornei-me assim, depois de tantas ingratidões recebidas, em tantos afastamentos constatados, em tantas evasões de pessoas a quem entreguei o meu coração.

Recorro às páginas do Evangelho e as leio, entre a emoção e o desassossego. Pesquiso as vidas dos grandes seguidores da Tua mensagem e me indago:

Por que eles conseguiram perdoar? O que me falta para isso?

Na tela da memória, evoco a imagem do primeiro mártir do Cristianismo, Estêvão, apedrejado por amor à verdade que propagava.

Ainda agonizante, ao lado da irmã, que descobre noiva do seu verdugo, tem palavras de perdão. Não são palavras de quem, por estar morrendo, resolve doar o perdão.

São palavras de quem se mostra agradecido por reencontrar a irmã querida, depois de tantos anos de separação que lhes fora imposta.

São palavras de quem está feliz e poderá morrer tranquilo, não somente por ter sido fiel a Jesus até o fim, mas por saber que sua irmã estará bem amparada por aquele mesmo que a ele tirou a vida.

Cristo os abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um irmão...

Saulo deve ser bom e generoso. Defendeu Moisés até ao fim... Quando conhecer a Jesus, servi-lO-á com o mesmo fervor...

Sê para ele a companheira amorosa e fiel...

Perdão incondicional. Ele poderia pensar em que poderia gozar da felicidade de tornar a conviver com a irmã, depois de tantos anos.

Voltar a estarem juntos, como dantes da tragédia que os separara. Mas, não.

Suas palavras não são de reprovação a quem o condenara ao apedrejamento. Nele somente há perdão.

Por tudo isso, Senhor, eu Te peço: Ajuda-me a perdoar. Ensina-me a perdoar. Promove em mim a mudança para melhor.

Não permitas que eu me perca pelas ruelas sombrias da mágoa, da tristeza e do desencanto.

Eu desejo voltar a acreditar nas pessoas, a crer na amizade sincera, na doação sem jaça.

Recordando o Teu exemplo extraordinário na cruz, preocupando-Te com aqueles que Te haviam infligido tanto sofrimento e morte, eu Te peço: Ajuda-me.

Tenho certeza de que, quando o perdão puder ser a tônica dos meus atos, eu voltarei a sorrir, a ter fé, a viver intensamente.

Ajuda-me, pois, Senhor Jesus, a perdoar. Porque, não somente desejo ser feliz, mas igualmente almejo ser, para os que comigo convivem, motivo de contentamento e de alegria.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Anivesário da FOA

Comemoramos hoje, trinta e um de março, o décimo oitavo aniversário da Fraternidade Oficina do Amor. Foi uma noite repleta de emoção, onde a presença dos amigos do mais alto pôde se sentir no clima de paz, harmonia e alegria que enchia todos os corações.
Logo no início foram homenageadas Helena, Lolô e Maggie, fundadoras da casa, e Adriano, atual Presidente e grande trabalhador.

Após, num tom de descontração e emoção, Maggie partilhou com os presentes um pouco da história da Fraternidade, desde quando era um simples grupo de Culto Cristão no Lar, até a data de hoje, e parte do muito que foi feito.

Ao final da palestra todos foram convidados para um bolo e coquetel comemorando a importante data

Helena, recebendo homenagem da Zélia, grande trabalhadora da casa (grande no entusiasmo, na competência, na amizade....)


Lolô recebendo homenagem da Silyana, responsável pelo Bazar e por algumas broncas aos sábados...


Adriano, Presidente da FOA, sendo homenageado pela Mara


Maggie sendo homenageada pelo Reginaldo.

Em breve publicaremos as fotos tiradas pela Michelle, com um pouco mais de fé as tiradas por ela no Natal, no acampamento, etc...

terça-feira, 29 de março de 2011

A MAIORIDADE DO BEM

“Sonho que se sonha só

É só um sonho que se sonha só

Mas sonho que se sonha junto é realidade”

Prelúdio – Raul Seixas

Esse verso representa a realidade de grandes obras, todos trazem sonhos dentro de si, dos mais diversos matizes e formas, mas enquanto continuam no interior de cada um, enquanto sonhamos de forma isolada não deixam de ser sonho.

Assim também ocorreu com a Fraternidade Oficina do Amor, iniciou como um sonho individual, alimentado e impulsionado por Amigos Espirituais, que pouco a pouco foi sendo partilhado por outras pessoas, que tiveram a coragem de sonharem juntas, de enfrentarem dificuldades, desafios de diversas ordens, tanto material como espiritual, mas que foram dando forma e este sonho.

Outras pessoas mais tarde conheceram este sonho e se apaixonaram por ele, se agregaram e passaram a sonhar junto.

No próximo dia trinta e um, quando a Fraternidade Oficina do Amor completa dezoito anos, já podemos afirmar que não se trata mais de um sonho, que já é uma realidade. E momento oportuno de agradecer. Primeiramente e sempre a Deus, pois sabemos que nada ocorre que não esteja de acordo com Suas Leis, a Jesus, Mestre e Amigo, aos Mentores da casa e todos os Amigos Espirituais que sustentaram e sustentam a FOA e seus trabalhos. Mas também agradecer às pessoas que tiveram a coragem de partilhar este sonho, até que se tornasse realidade, que lutaram, choraram, tiveram anseios e medos, mas que nem por isto abandonaram o sonho.

Que vocês tenham a certeza que com o sonho de vocês alimenta diversos sonhos hoje, o sonho daqueles que buscam um local onde repousar das lutas, um olhar amigo e encontram na FRATERNIDADE o lenitivo necessário; no o sonho daquele que busca se melhorar através do trabalho e lá encontra a OFICINA bendita; e o sonho das crianças que buscam ver um futuro melhor, onde possam aprender a sonhar, a ter esperanças, a aprenderem, não somente as matérias regulares de qualquer escola, mas acima de tudo a tornarem-se melhores enquanto pessoas, enquanto cidadãos, e que aprendem que somente conseguiram através do AMOR.

Parabéns a todos fundadores, trabalhadores e freqüentadores da Fraternidade Oficina do Amor, que o sonho continue sendo sonhado por um número cada vez maior de pessoas.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Principie sensato

Comentavam os apóstolos, entre si, qual a conduta mais aconselhável diante do Todo-
Poderoso, quando o Mestre narrou com brandura:
— Certo rei, senhor de imensos domínios, desejando engrandecer o espírito dos filhos
para conferir-lhes herança condigna, conduziu-os a extenso vale verdoengo e rico de seu enorme
império e confiou a cada um determinada fazenda, que deviam preservar e enriquecer
pelo trabalho incessante. O Pai desejava deles a coroa da compreensão, do amor e da sabedoria,
somente conquistável através da educação e do serviço; e, como devia utilizar material transitório,
deu-lhes tempo marcado para as construções que lhes seriam indispensáveis, mais tarde,
aos serviços de elevação. Assim procedia, porque o vale era sujeito a modificações e chegaria
um momento em que arrasadora tempestade visitaria a região guardando-se em segurança
apenas aqueles que houvessem erguido forte reduto. Assim que o soberano se retirou, os
filhos jovens, seguidos pelas numerosas tribos que os acompanhavam, descansaram, longamente,
deslumbrados com a beleza das planícies banhadas de sol. Quando se levantaram para a
tarefa, entraram em compridas conversações, com respeito às leis de solidariedade, justiça e
defesa, cada qual a exigir especiais deferências dos outros. Quase ninguém cuidava da aplicação
dos regulamentos estabelecidos pelo governo central. Os príncipes e seus afeiçoados, em
maioria, por questões de conforto pessoal, esmeravam-se em procurar recursos sutis com que
pudessem sonegar, sem escândalos visíveis entre si, os princípios a que haviam jurado obediência
e respeito. E tentando enganar o Magnânimo Pai, por meio da bajulação, ao invés de honrá-
lo com o trabalho sadio, internaram-se em complicadas contendas, em torno de problemas
íntimos do soberano.
Gastaram anos a fio, discutindo-lhe a apresentação pessoal. Insistiam alguns que ele revelava
no rosto a brancura do lírio, enquanto outros perseveravam em proclamar-lhe a cor
bronzeada, idêntica à de muitos cativos de Sídon. Muitos afirmavam que ele possuía um corpo
de gigante e não poucos exigiam fosse ele um anjo coroado de estrela.
Ao passo que as rixas verbais se multiplicavam, o tempo ia-se esgotando e os insetos
destruidores, infinitamente reproduzidos, invadiram as terras, aniquilando grande parte dos
recursos preciosos. Detritos desceram de serras próximas e fizeram compacto acervo de monturo
naquelas regiões, enquanto os príncipes levianos, inteiramente distraídos das obrigações
fundamentais que lhes cabiam, se engalfinhavam, a todo instante, a propósito de ninharias.
Houve, porém, um filho bem-avisado que anotou os decretos paternais e cumpriu-os.
Jamais esqueceu os conselhos do rei e, quanto lhe era possível, os estendia aos companheiros
mais próximos. Utilizou grande número de horas que as leis vigentes lhe concediam ao repouso
e construiu sólido abrigo que lhe garantiria a tranqüilidade no futuro, semeando beleza e
alegria em toda a fazenda que o genitor lhe cedera por empréstimo.
E assim, quando a tormenta surgiu, renovadora e violenta, o príncipe sensato que amara
o monarca e servira-o, desvelado e carinhoso, estendendo-lhe as lições libertadoras, pela fraternidade
pura, e cumprindo-lhe a vontade justa e bondosa, pelo trabalho de cada dia, com as
aflições construtivas da alma e com o suor do rosto, foi naturalmente amparado num santuário
de paz e segurança que os seus irmãos discutidores não encontraram.
Doce silêncio pairou na sala singela...
Decorridos alguns minutos, o Mestre fixou os olhos lúcidos na pequena assembléia e
concluiu:
— Quem muito analisa, sem espírito de serviço, pode viciar-se facilmente nos abusos da
palavra, mas ninguém se arrependerá de haver ensinado o bem e trabalhado com as próprias
forças em nome do Pai Celestial, no bendito caminho da vida.

Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio, Franciso C Xavier

terça-feira, 22 de março de 2011

Compaixao

Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão. Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.

Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.

Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.

Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.

Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.

Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas.

A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.

É o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.

O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos.

A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.

É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.

Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.

Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.

Expandir esse sentimento é dar significação à vida.

A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apiada.

Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.

Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para as lamentações pessoais.

Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.

Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.

* * *

Divaldo P. Franco. Da obra: Responsabilidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.