domingo, 8 de maio de 2011
O Espiritismo e a filosofia da diferença: olhares de amor e aceitação.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
DA REENCARNAÇÃO : NO REINO DAS BORBOLETAS
sobre um ninho de larvas e falou para as pequeninas lagartas, atônitas:
- Não temais! Sou eu... uma vossa irmã de raça!... Venho para comunicar-vos
esperança. Nem sempre permanecereis coladas à erva do pântano! Tende calma,
fortaleza, paciência!... Esforçai-vos por sucumbir aos golpes da ventania que, de quando
em quando, varre a paisagem. Esperai! Depois do sono que vos aguarda, acordareis com
asas de puro arminho, refletindo o esplender solar... Então, não mais vos arrastareis,
presas ao solo úmido e triste. Adquirireis preciosa visão da vida! Subireis muito alto e
vosso alimento será o néctar das flores... Viajareis deslumbradas, contemplando o
mundo, sob novo prisma!... Observareis o sapo que nos persegue, castigado pela
serpente que o destrói, e vereis a serpente que fascina o sapo, fustigada pelas armas do
homem!...
Enquanto a mensageira se entregava à ligeira pausa de repouso, ouviam-se
exclamações admirativas:
- Ah! não posso crer no que vejo!
- Que misteriosa e bela criatura!...
- Será uma fada milagrosa?
- Nada possui de comum conosco...
Irradiando o suave aroma do jardim em que se demorava, a linda visitante
sorriu e continuou:
- Não vos confieis à incredulidade! Não sou uma fada celeste! Minhas asas
são parte integrante da nova forma que a Natureza nos reserva. Ontem vivia convosco;
amanhã, vivereis comigo! Equilibrar-vos-eis no imenso espaço, desferindo vôos sublimes
à plena luz! Libertadas do chavascal, elevar-vos-eis, felizes! Libertadas do chavascal,
elevar-vos-eis, felizes! Conhecereis a beleza das copas floridas e o saboroso licor das
pétalas perfumadas, a delícia da altura e a largueza do firmamento!...
Logo após, lançando carinhoso olhar à família alvoroçada, distendeu o
corpo colorido e, voltando, graciosa, desapareceu.
Nisso chega ao ninho a lagarta mais velha do grupo, que andava ausente,
e, ouvindo as entusiásticas referências das companheiras mais jovens, ordenou, irritada:
- Calem-se e escutem! Tudo isso é insensatez... Mentiras, divagações... Fujamos
aos sonhos e aos desvarios. Nunca teremos asas. Ninguém deve filosofar... Somos lagartas, nada
mais que lagartas. Sejamos práticas, no imediatismo da própria vida. Esqueçam-se de
pretensos seres alados que não existem. Desçam do delírio da imaginação para as
realidades do ventre! Abandonaremos este lugar, amanhã. Encontrei a horta que
procurávamos... Será nossa propriedade. Nossa fortuna está no pé de couve que
passaremos a habitar. Devorar-lhe-emos todas as folhas... Precisamos simplesmente
comer, porque, depois, será o sono, a morte e o nada... nada mais...
Calaram-se as larvas, desencantadas.
Caiu a noite e, em meio à sombra, a lagarta-chefe adormeceu, sem
despertar no outro dia. Estava ela completamente imóvel.
As irmãs, preocupadas, observavam curiosas o fenômeno e puseram-se na
expectativa.
Findo algum tempo, com infinito assombro, repararam que a orgulhosa e
descrente orientadora se metamorfoseara numa veludosa falena, voejante e leve...
-*-
Não guardes antipatia
Paz é luz na vida sã.
Inimigo de hoje em dia
Parente nosso amanhã.
Álvaro Martins
-*-
Por lei celeste possuis
Aquilo em que te desdobras;
Cada pessoa na vida
Descende das próprias obras
Chiquito de Morais
-*-
Não se queixe em circunstância alguma.
Lembre-se de que a vida e o tempo são concessões de Deus diretamente a
você, e, acima de qualquer angústia ou provação,
a vida e o tempo responderão a você com a benção da luz ou com a experiência
da sombra, como você quiser.
André Luiz
terça-feira, 3 de maio de 2011
A coroa e as asas
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A PONTE
Ei-los na retaguarda.
Não puderam acompanhar o ritmo que a renovação impunha.
Enquanto os Sábios Mensageiros, à maneira de narradores de histórias, falavam das construções celestes, eles se detinham extasiados. Compraziam-se na expectativa de fáceis triunfos, antevendo-se coroados de êxitos nas lutas do caminho comum, sem qualquer esforço nobre.
Supunham que o Espiritismo fosse apenas uma Doutrina Consoladora, cujo mister se resumisse na coleta de náufragos morais e mendigos, para os alentar, enxugando-lhes as lágrimas sem qualquer compromisso de os estimular para o trabalho e o sacrifício.
Esqueceram-se de que a morte física não é o fim.
Olvidaram que além do sepulcro não há repouso nem paraíso, senão para quem converteu a própria paz em paz para os outros e dirigiu a felicidade pessoal para a felicidade de todos.
A morte não apresenta soluções definitivas para problemas que a reencarnação não solveu.
A Terra, por isso mesmo, é o grande campo de realizações, aguardando a dedicação dos lidadores da esperança, do bem e da verdade.
ninguém a deixará livremente, mantendo compromissos com a retaguarda.
Os que ficaram atrás, preferiram o céu fantasioso da ilusão.
Fizeram-se apologistas do heroísmo de mão beijada e pretendem a glória de um trabalho apanagiado por padrinhos terrenos, passageiros detentores do prestígio social e político.
Deixaram à margem os problemas gigantes que defrontarão mais tarde, complicados e insolváveis.
Tentaram o recuo à hora do avanço e se detiveram a distância.
Não os incrimines nem os lamentes.
São almas fracas, incapazes de uma resistência maior.
A vida, a grande mestra, com mãos de mãe devotada e gentil, conduzí-los-á de retorno à realidade, da qual ninguém foge impunemente.
Segue adiante, porém.
Esquece a fantasia das narrativas atraentes e enfrenta o campo que se desdobra convidativo.
Aqui, concede a benção de uma fonte e o deserto se converterá em jardim.
Ali, remove o charco, e o pântano se transformará em horta dadivosa.
Acolá, afasta as pedras, e a estrada surgirá oferecendo fácil acesso.
E faze o bem em toda a parte, com as mãos e o coração, orando e esclarecendo, a fim de que o trabalho da verdade fulgure em teus braços como estrelas luminescentes em forma de mãos.
E, ligado aos Espíritos da Luz, construirás, com o suor e o esforço incessante, enquanto na carne, a ponte sobre o abismo, pela qual atravessarás, em breve, formoso e deslumbrado, em busca dos amores felizes que te aguardam, jubilosos, “do outro lado”.
(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco,
na noite de 21-6-61, em Salvador, Bahia)
Brasil Espírita - Julho de 1971
terça-feira, 26 de abril de 2011
CHICO XAVIER E UM CASO DE PERDÃO
49 - As Providências do Perdão
P - Ao transmitir, caro Chico, sua mensagem final aos irmãos de fala Castelhana, rogamos-lhe a gentileza de narrar-nos um dos inúmeros fatos mediúnicos que o sensibilizaram no correr das suas quatro décadas de tarefas ininterruptas de mediunidade com Jesus.
R - Das experiências de nossa tarefa mediúnica, citaremos uma delas, para nós inesquecível.
Nos arredores de Pedro Leopoldo, há anos passados, certa viúva viu o corpo de um filho assassinado, chegando, repentinamente à casa. Desde então, chorava sem consolo.
O irmão homicida fugira, logo após o delito, e a sofredora senhora ignorava até mesmo porque o rapaz perdera tão desastradamente a vida. Agravando-se-lhe os padecimentos morais, uma nossa amiga, já desencarnada, D. Joaninha Gomes, convidou-nos a ir em sua companhia partilhar um ligeiro culto do Evangelho, com a viúva enlutada.
A desditosa mãe acolheu-nos com bondade e, logo após, em círculo de cinco pessoas, entregamo-nos à oração.
Aberto em seguida "O Evangelho segundo o Espiritismo", ao acaso, caiu-nos sob os olhos o item 14 do Capítulo X, intitulado "Perdão das Ofensas".
Ia, de minha parte, começar a leitura, quando alguém bateu à porta. Pausamos na atividade espiritual, enquanto a dona da casa foi atender. Tratava-se de um viajante maltrapilho, positivamente, um mendigo, alegando fome e cansaço. Pedia um prato de alimento e um cobertor.
A viúva fê-lo entrar com gentileza, a pedir-lhe alguns momentos de espera. O homem acomodou-se num banco e iniciamos a leitura. Imediatamente depois disso, comentamos a lição de modo geral. Um dos assistentes perguntou à dona da casa se ela havia desculpado o infeliz que lhe havia morto o filho querido, cujo nome passou, na conversação, a ser, por várias vezes, pronunciado.
A viúva asseverou que o Evangelho, pelo menos, lhe determinava perdoar. Foi então que o recém-chegado e desconhecido exclamou para a nossa anfitriã:
- Pois a senhora é mãe do morto?
E, trêmulo, acrescentou que ele mesmo, era o assassino, passando a chorar e a pedir de joelhos.
A viúva, igualmente, em pranto, avançou maternalmente para ele e falou:
- Não me peça perdão, meu filho, que eu também sou uma pobre pecadora.. Roguemos a Deus para que nos perdoe!...
Em seguida, trouxe-lhe um prato bem feito e o agasalho de que o desconhecido necessitava. Ele, entretanto, transformado, saiu do Culto do Evangelho conosco e foi-se entregar à Justiça.
No dia imediato, Joaninha Gomes e eu voltamos ao lar da generosa senhora e ela nos contou, edificada, que durante a noite sonhara com o filho a dizer-lhe que ele mesmo, a vítima, trouxera o ofensor ao seu regaço de Mãe, para que ela o auxiliasse com bondade e socorro, entendimento e perdão.
Retirado do livro "Entrevistas" - Chico Xavier/Emmanuel respondem...
sábado, 23 de abril de 2011
Jesus para o homem
“E achado em forma como homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.” – Paulo. (Filipenses, 2:8)
O Mestre desceu para servir,
Do esplendor à escuridão...
Da alvorada eterna à noite plena...
Das estrelas à manjedoura...
Do infinito à limitação...
Da glória à carpintaria...
Da grandeza à abnegação...
Da divindade dos anjos à miséria dos homens...
Da companhia dos gênios sublimes à convivência dos pecadores...
De governador do mundo a servo de todos...
De credor magnânimo a escravo...
De benfeitor a perseguido...
De salvador a desamparado...
De emissário do amor à vítima do ódio...
De redentor dos séculos a prisioneiro das sombras...
De celeste pastor à ovelha oprimida...
De poderoso trono à cruz do martírio...
Do verbo santificante ao angustiado silêncio...
De advogado das criaturas a réu sem defesa...
Dos braços dos amigos ao contato de ladrões...
Do doador da vida eterna a sentenciado no vale da morte...
Humilhou-se e apagou-se para que o homem se eleve e brilhe para sempre!
Oh! Senhor, que não fizeste por nós, a fim de aprendermos o caminho da Gloriosa Ressurreição no Reino?
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Pão Nosso
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O juiz reformado
conversação em casa de Pedro se desdobrava em derredor do mesmo tema.
— É difícil não criticar — comentava Mateus, com lealdade —, porque, a todo instante,
o homem de mediana educação é compelido a emitir pareceres na atividade comum.
— Sim — concordava André, muito franco —, não é fácil agir com acerto, sem analisar
detidamente.
Depois de vários depoimentos, em torno do direito de observar e corrigir, interferiu Jesus
sem afetação:
— Inegavelmente, homem algum poderá cumprir o mandato que lhe cabe, no plano divino
da vida, sem vigiar no caminho em que se movimenta, sob os princípios da retidão. Todavia,
é necessário não inclinar o espírito aos desvarios do sentimento, para não sermos vitimados
por nós mesmos. Seremos julgados pela medida que aplicarmos aos outros. O rigor responde
ao rigor, a paciência à paciência, a bondade à bondade...
E, transcorridos alguns instantes, contou:
— Quando Israel vivia sob o governo dos grandes juízes, existiu um magistrado austero
e violento, em destacada cidade do povo escolhido, que imprimiu o terror e a crueldade em
todos os serventuários sob a sua orientação. Abusando dos poderes que a lei lhe conferia, criou
ordenações tirânicas para a punição das mínimas faltas. Multiplicou infinitamente o número
dos soldados, edificou muitos cárceres e inventou variados instrumentos de flagelação.
O povo, asfixiado por estranhas proibições, devia movimentar-se debaixo de severa fiscalização,
qual se fora rebanho de bravios animais. Trabalharia, descansaria e adoraria o Senhor,
em horas rigorosamente determinadas pela autoridade, sob pena de sofrer humilhantes
castigos, nas prisões, com pesadas multas de toda espécie.
Se bem mandava o juiz, melhor agiam os subordinados, cheios de natural malvadez.
Assim foi que, certa feita, dirigindo-se o magistrado, alta noite, à casa de um filho enfermo,
foi aprisionado, sem qualquer consideração, por um grupo de guardas bêbedos e inconscientes
que o conduziram a escura enxovia que ele mesmo havia inaugurado, semanas antes. Não
lhe valeram a apresentação do nome e as honrosas insígnias de que se revestia. Tomado por
temível ladrão, foi manietado, despojado dos bens que trazia e espancado sem piedade, afirmando
os sentinelas que assim procediam, obedecendo às instruções do grande juiz, que era
ele próprio.
Somente no dia imediato foi desfeito o equívoco, quando o infeliz homem público já havia
sofrido a aplicação das penas que a sua autoridade estabelecera para os outros.
O legislador atribulado reconheceu, então, que era perigoso transmitir o poder a subalternos
brutalizados e ignorantes, percebendo que a justiça construtiva e santificante é aquela
que retifica ajudando e educando, na preparação do Reinado do Amor entre os homens.
Desde a singular ocorrência, a cidade adquiriu outro modo de ser, porque o juiz reformado,
embora prosseguisse atento às funções que lhe competiam, ergueu, sobre o tribunal, a
benefício de todos, o coração de pai compreensivo e amoroso.
Lá fora, brilhavam estrelas, retratadas nas águas serenas do grande lago. Depois de longa
pausa, o Mestre concluiu:
— Somente aquele que aprendeu intensamente com a vida, estudando e servindo, suando
e chorando para sustentar o bem, entre os espinhos da renúncia e as flores do amor, estará
habilitado a exercer a justiça, em nome do pai.