quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amizade

Ergueste-me na caminhada...
- Deste-me guarida no afeto santo
do teu coração...
- Advertiste-me fraternalmente nas
passadas equívocas...
- Acompanhaste-me nas sombrias noites
da desesperação...
- Choraste e abraçaste-me quando, alucinado
entrevi a desesperança e o teu testemunho
de solidariedade foi-me a confirmação da
presença divina socorrendo-me nas lágrimas
- Não descuraste do pão à minha mesa...
- Não relegaste o meu coração à solidão
fria das longas horas da doença indomável...
- Jamais perdeste a oportunidade do conselho
amigo, intentando dirigir-me à ação nobre...
- Por tudo isto te sou grato...
O interlocutor, ante o desvelar de tanta
afeição e reconhecimento,asseverou:
- Para mim, isto nenhum esforço representou
amigo, desde quando,expressa o carinho do
meu coração pela tua existência. E, em nome
deste sentimento, digo-te que o meu silêncio
é a melhor resposta às tuas efusões...
- Sim, bem sei. É por isto que Deus te
colocou na Terra para alentar o caminho
dos homens, sacramentando-te com o sublime
nome de Amizade...

Meimei

Psicografia de Francisco C.Xavier

domingo, 17 de julho de 2011

A necessidade de entendimento

Um dos companheiros trazia ao culto evangélico enorme expressão de abatimento.
Ante as indagações fraternas do Senhor, esclareceu que fora rudemente tratado na via
pública. Vários devedores, por ele convidados a pagamento, responderam com ingratidão e
grosseria.
Não se internou o Cristo através da consolação individual, mas, exortando evidentemente
todos os companheiros, narrou, benevolente:
— Um grande explicador dos textos de Job possuía singulares disposições para os serviços
da compreensão e da bondade, e, talvez por isso, organizou uma escola em que pontificava
com indiscutível sabedoria.
Amparando, certa ocasião, um aprendiz irrequieto que freqüentes vezes se lamuriava de
maus tratos que recebia na praça pública, saiu pacientemente em companhia do discípulo, pelas
ruas de Jerusalém, implorando esmolas para determinados serviços do Templo.
A maioria dos transeuntes dava ou negava, com indiferença, mas, numa esquina movimentada,
um homem vigoroso respondeu-lhes à rogativa com aspereza e zombaria.
O mestre tomou o aprendiz pela mão e ambos o seguiram, cuidadosos. Não andaram
muito tempo e viram-no cair ao solo, ralado de dor violenta, provocando o socorro geral. Verificaram,
em breve, que o irmão irritado sofria de cólicas mortais.
Demandaram adiante, quando foram defrontados por um cavalheiro que nem se dignou
responder-lhes à súplica, endereçando-lhes tão-somente um olhar rancoroso e duro.
Orientador e tutelado acompanharam-lhe os passos, e, quando a estranha personagem alcançou
o domicílio que lhe era próprio, repararam que compacto grupo de pessoas chorosas o
aguardava, grupo esse ao qual se uniu em copioso pranto, informando-se os dois de que o infeliz
retinha no lar uma filha morta.
Prosseguiram esmolando na via pública e, a estreito passo, receberam fortes palavrões de
um rapaz a quem se haviam dirigido. Retraíram-se ambos, em expectativa, verificando, depois
de meia hora de observação, que o mísero não passava de um louco.
Em seguida, ouviram atrevidas frases de um velho que lhes prometia prisão e pedradas;
mas, decorridas algumas horas, souberam que o infortunado era simplesmente um negociante
falido, que se convertera de senhor em escravo, em razão de débitos enormes.
Como o dia declinasse, o respeitável instrutor convocou o discípulo ao regresso e ponderou:
— Guardaste a lição? Aceita a necessidade do entendimento por sagrado imperativo da
vida. Nunca mais te queixes daqueles que exibem expressões de revolta ou desespero nas ruas.
O primeiro que nos surgiu à frente era enfermo vulgar; o segundo guardava a morte em casa; o
terceiro padecia loucura e o quarto experimentava a falência. Na maioria dos casos, quem nos
recebe de mau-humor permanece em estrada muito mais escura e mais espinhosa que a nossa.
E, completando o ensinamento, terminou o Senhor, diante dos companheiros espantados:
— Quando encontrarmos os portadores da aflição, tenhamos piedade e auxiliemo-los na
reconquista da paz íntima. O touro retém os chifres, por não haver atingido, ainda, o dom das
asas. Reclamamos, comumente, contra a ovelha que nos perturba o repouso, balindo, atormentada;
todavia, raramente nos lembramos de que o pobre animal vai seguindo, sob laço pesado,
a caminho do matadouro.

Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio
Franciso C Xavier

domingo, 10 de julho de 2011

Conselho Materno

Ouve, filhinho,
Pelo caminho
Encontrarás
Muita criança
Sem esperança,
Sem luz, sem paz...


Aves pequenas,
Guardam apenas
O pranto e a dor,
Rolando ao vento
Do sofrimento
Esmagador.


Passam a sós,
Erguendo a voz,
Pedindo pão...
Passam em bando,
Dilacerando
O coração.


Ante a tristeza
Dessa aspereza,
Desse amargor,
Filhinho amigo,
Dá-lhes abrigo,
Dá-lhes amor...


És irmãozinho
Do pobrezinho
Que aflito vai...
Nos mesmos trilhos
Nós somos filhos
Do mesmo Pai.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Jardim de Infância. Ditado pelo Espírito João de Deus.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

DA INFLUÊNCIA DO BEM : O PODER DO BEM

Irmão X
Armando Pires efetuava os últimos arranjos no carro, para conduzir seu amigo
Jorge Bretas à estância de repouso que distava quarenta quilômetros.
Nesse justo momento, o diálogo entre eles, em torno da lei de causa e efeito, se
detinha em curioso ápice.
- Mas você não acredita mesmo que a justiça possa ser modificada pela
misericórdia?
- Não.
- Acaso, não admite que o destino, assim como é reparável a toda hora, é
suscetível de ser renovado todos os dias?
- Não.
- Não crê que as ações do amor desfazem as cadeias do ódio?
- Não.
- Você não aceita a possibilidade de transformar os problemas de alguém que
chora, dando a esse alguém uma parcela de alegria ou de esperança?
- Não.
- Não reconhece você que se um irmão em prova é intimado pelas leis do
Universo ao sofrimento, para ressarcir as faltas que haja cometido em outras existências,
nós, igualmente, somos levados a conhecer-lhe a dor, pelas mesmas Leis Divinas, de
maneira a prestar-lhe o auxílio possível, em resgate das nossas?
- Não.
- Não tem você por certo o princípio de que o bem dissolve o mal, assim como o
reequilíbrio extingue a perturbação? não concorda que um ato nobre redundará sempre
na justiça, em favor de quem o pratica?
- Não.
- Porquê?
- Porque a justiça deve ser a justiça e cada qual de nós pagará pelos próprios
erros.
- Céus! Mas você não aceita a idéia de que migalhas de amor são capazes de
funcionar em lugar da dor, ante os Foros Celestes, assim como as pequenas prestações,
na base da equidade e diligencia, podem evitar que uma dívida venha a ser cobrada pela
força de um tribunal?
- Não.
Em seguida, os dois se aboletaram no automóvel e o carro chispou.
Tarde chuvosa, cinzenta...
Alguns quilômetros, para além da arrancada, um buraco no asfalto, sobre alta
rampa, e forte sacudidela agitou os viajores.
Bretas lembrou, assustado:
Lance perigoso! Convém parar... Tapemos o buraco ou coloquemos aqui algum
sinal de alarme, pelo menos alguns ramos de arvoredo que advirtam quem passe...
- Nada disso! – protestou Armando, decidido – a obrigação é da turma de
conserva... Os outros motoristas que se danem. Não somos empregados de ninguém.
Atingidos o local de destino, Bretas recolheu-se ao hotel, agradecendo o
obséquio, e Armando regressou pelo mesmo caminho.
Entretanto, justamente no ponto da rodovia onde o amigo desejara auxiliar
outros motoristas com socorro oportuno, Pires, em grande velocidade, dentro da noite,
encontrou a cova profundamente alargada pelo aguaceiro e o carro capotou, de modo
espetacular, projetando-se barranco abaixo...
Depois do acidente, em companhia de alguns amigos fui visitá-lo num hospital
de emergência... Achamo-lo de rosto enfaixado, sob a atenciosa assistência de abnegado
ortopedista, que lhe engessava a perna esquerda em frangalhos.
Pires não falava, mas pensava... E pensava exatamente nos delicados meandros
da lei de causa e efeito, chegando à conclusão de que o mal não precisa ser resgatado
pelo mal, onde o bem chega antes...
-*-
Felicidade aparece
Por dois modos naturais:
Palavra que pode muito,
Serviço que pode mais.
Benedito Candelária Irmão
-*-
O tempo não volta atrás,
Dia passado correu;
Tempo é aquilo que se faz
Do tempo que Deus nos deu.
Leonel Coelho
-*-
Enquanto esperas pelo Céu, não olvides que também a Terra vive esperando por
ti.
Mariano José Pereira da Fonseca

IDEIAS E
ILUSTRAÇÕES
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Ditados por
Espíritos Diversos

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O argumento justo

À noite, em casa de Simão, transparecia um véu de tristeza na maioria dos semblantes.
Tadeu e André, atacados horas antes, nas margens do lago, por alguns malfeitores, viram-
se constrangidos à reação apressada. Não surgira conseqüência grave, mas sentiam-se
ambos atormentados e irritadiços.
Quando Jesus começou a falar acerca da glória reservada aos bons, os dois discípulos
deixaram transparecer, através do pranto discreto, a amargura que lhes dominava a alma e, não
podendo conter-se, Tadeu clamou, aflito:
— Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa Nova; contudo, sou portador de um coração
indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no
trato com o mundo, não passo de um espírito renitente no mal. Lamento... lamento... mas como
trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?
Embargando-se-lhe a voz, adiantou-se André, alegando, choroso:
— Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretanto, ao distanciar-
me... basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me. Reconheçome
incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a
prática do bem, imperfeito e mau qual me vejo?!...
Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:
— Por minha vez, observo que não passo de mísero espírito endividado e inferior. Sou o
pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem
louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande,
meus débitos enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro
assim insuficiente e incompleto?
À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:
— Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa
Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do
Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos
em que pavorosas desilusões me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero?
Não estarei enganando o próximo? Tortura-me a incerteza... Quem sabe se não passo de reles
mistificador?
Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.
Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento,
sorriu, tocado de bom-humor, e esclareceu:
— Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum
companheiro alado. A meu parecer, os anjos, na indumentária celeste, ainda não encontram
domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do
Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso
da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se
compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se
vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar
para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não
me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo de
lições da Terra. O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante... De outro
modo, penso, a Boa Nova de Salvação se perderia por inadequada e inútil...
As lágrimas dos discípulos transformaram-se em intenso rubor, a irradiar-se da fisionomia
de todos, e uma oração sentida do Amigo Divino imprimiu ponto final ao assunto.


Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio
Franciso C Xavier

Agasalho

O aprendiz buscou o orientador e clamou, agoniado:
- Amigo querido, por que a contradição em que me vejo? Vivia tranqüilo, quando adquiria fé.
Depois de instalar a fé no coração, o sofrimento apareceu em minha vida...
Se acumulei tanta confiança na Divina Providência, qual a razão pela qual tantas tribulações me acompanham?
Momentos surgem, nos quais me sinto em doloroso desespero.
Por que tamanho contra-senso?
O interpelado, entretanto, respondeu sem hesitar:
- Filho, não te revoltes. A Lei do Senhor é justiça e misericórdia.
O Pai Todo-Sábio não podia livrar-te da provação, mas não podes negar que a Infinita Bondade te amparou com o apoio oportuno, a fim de que atravesses as tempestades de hoje com o agasalho preciso...

* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caminhos.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
2a edição. Jabaquara, SP: CEU, 1981.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DO DESÂNIMO : O PODER DAS TREVAS

Neio Lúcio
Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:
— Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa
cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do
Mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de
lhe armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao
Gênio da Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito.
Um companheiro de consciência enegrecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo
Menor que apresentasse sugestões.
O subordinado falou, com ênfase:
— Não poderíamos despojá-lo de todos os bens?
— Isto, não — disse o perverso orientador —; para um servo dessa têmpera a
perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para
aumentar suas contribuições à Humanidade.
— Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-lhe os
filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão... — aventou o pequeno perturbador,
reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:
— Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a
multidão?
O embaixador, desapontado, acentuou:
— Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crivá-lo-emos de feridas e
aflições.
— Nada disto — acrescentou o gênio satânico —, ele acharia meios de afervorarse
na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita
gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor.
— Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele!
— clamou o emissário.
— Para quê? — tornou o Espírito das Sombras. — Transformar-se-ia num mártir,
redentor de muitos. Valer-se-ia de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante
do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:
— Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...
— Que dizes? — redargüiu a Inteligência perversa — A morte ser-lhe-ia a mais
doce bênção por reconduzi-lo às claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez
expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz:
— Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que
não passa de mesquinho verme desconhecido...Impõe-lhe o conhecimento da própria
pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e verás...
O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua
pretendida insignificância e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: “como te
atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? Não te sentes simples
joguete de paixões inferiores da carne? Não te envergonhas da animalidade que trazes
no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? Não te reconheces na posição de
obscuro fragmento de lama?”
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e,
depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa
começa no grelo frágil e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação,
para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida.
Silenciou Jesus, contemplando a noite calma...
Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos
demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços.

-*-

O homem que se aborrece
Clamando fastio, a esmo,
Encontrou tempo excessivo
Para cuidar se si mesmo.

Casimiro Cunha

-*-

Pensamento lapidar
Que não se pode esquecer:
Quem pára de trabalhar
Começa logo a morrer.
Leôncio Correia

-*-

Lembre-se de que você mesmo é:
o melhor secretário de sua tarefa,
o mais eficiente propagandista de seus ideais,
a mais clara demonstração de seus princípios,
o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça,
E a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros.
André Luiz

IDEIAS E
ILUSTRAÇÕES
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Ditados por
Espíritos Diversos

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A regra de ajudar

João, no age da curiosidade juvenil, compreendendo que se achava à frente de novos métodos
de viver, tal a grandeza com que o Evangelho transparecia dos ensinamentos do Senhor,
perguntou a Jesus qual a maneira mais digna de se portar o aprendiz, diante do próximo, no
sentido de ajudar aos semelhantes, ao que o Amigo Divino respondeu, com voz clara e firme:
— João, se procuras uma regra de auxiliar os outros, beneficiando a ti mesmo, não te esqueças
de amar o companheiro de jornada terrestre, tanto quanto desejas ser querido e amparado
por ele.
A pretexto de cultivar a verdade, não transformes a própria existência numa batalha em
que teus pés atravessem o mundo, qual furioso combatente no deserto; recorda que a maioria
dos enfermos conhece, de algum modo, a moléstia que lhes é própria, reclamando amizade e
entendimento, acima da medicação.
Lembra-te de que não há corações na Terra, sem problemas difíceis a resolver; em razão
disso, aprende a cortesia fraternal para com todos.
Acolhe o irmão do caminho, não somente com a saudação recomendada pelos imperativos
da polidez, mas também com o calor do teu sincero propósito de servir.
Fixa nos olhos as pessoas que te dirigirem a palavra, testemunhando-lhes carinhoso interesse,
e guarda sempre a posição de ouvinte delicado e atencioso; não levantes demasiadamente
a voz, porque a segurança e a serenidade com que os mais graves assuntos devem ser tratados
não dependem de ruído.
Abstém-te das conversações improfícuas; o comentário menos digno é sempre invasão
delituosa em questões pessoais.
Louva quem trabalha e, ainda mesmo diante dos maus e dos ociosos, procura exaltar o
bem que são suscetíveis de produzir.
Foge ao pessimismo, guardando embora a prudência indispensável perante as criaturas
arrojadas em negócios respeitáveis, mas passageiros, do mundo; a tristeza improdutiva, que
apenas sabe lastimar-se, nunca foi útil à Humanidade, necessitada de bom ânimo.
Usa, cotidianamente, a chave luminosa do sorriso fraterno; com o gesto espontâneo de
bondade, podemos sustar muitos crimes e apagar muitos males.
Faze o possível por ser pontual; não deixes o companheiro à tua espera, a fim de que te
não seja atribuída uma falsa importância.
Agradece todos os benefícios da estrada, respeitando os grandes e os pequenos; se o Sol
aquece a vida, é a semente de trigo que fornece o pão.
Deixa que as águas vivas e invisíveis do Amor, que procedem de Deus, Nosso Pai, atravessem
o teu coração, em favor do círculo de luta em que vives; o Amor é a força divina que
engrandece a vida e confere poder.
Façamos, sobretudo, o melhor que pudermos, na felicidade e na elevação de todos os
que nos cercam, não somente aqui, mas em qualquer parte, não apenas hoje, mas sempre.
Silenciou o Cristo e, assinalando a beleza do programa exposto, o jovem apóstolo inquiriu
respeitosamente:
— Senhor, como conseguirei executar tão expressivos ensinamentos?
O Mestre respondeu, resoluto:
— A boa-vontade é nosso recurso de cada hora.
E, afagando os cabelos do discípulo inquieto, encerrou as preces da noite.

Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio
Franciso C Xavier