domingo, 17 de junho de 2012

O Espiritismo no Brasil



Numerosos companheiros de Allan Kardec já haviam regressado às luzes da espiritualidade,
quando inúmeras entidades do serviço de direção dos movimentos espiritistas no planeta deliberaram efetuar
um balanço de realizações e de obras em perspectiva, nos arraiais doutrinários, sob a bênção misericordiosa e augusta do Cordeiro de Deus.
Vivia-se, então, no limiar do século XX, de alma aturdida ante as renovações da indústria e da ciência,
aguardando-se as mais proveitosas edificações para a vida do globo.
Falava-se aí, nesse conclave do plano invisível, com respeito à propagação da nova fé, em todas
as regiões do mundo, procurando-se estudar as possibilidades de cada país, no tocante ao grande serviço de restauração do Cristianismo, em suas fontes simples e puras.
Após várias considerações, em torno do assunto, o diretor espiritual da grande reunião falou com
segurança e energia:
 "Irmãos de eternidade: no mundo terrestre, de modo geral, as doutrinas espiritualistas, em sua
complexidade e transcendência, repousam no coração da Ásia adormecida; mas, precisamos considerar que o
Evangelho do Divino Mestre não conseguiu ainda harmonizar essas variadas correntes de opinião do espiritualismo
oriental com a fraternidade perfeita, em vista das nações do Oriente se encontrarem cristalizadas na sua
própria grandeza, há alguns milênios”.
Em breve, as forças da violência acordarão esses países que dormem o sono milenário do orgulho,
numa injustificável aristocracia espiritual, afim de que se integrem na lição da solidariedade verdadeira,
mediante os ensinamentos do Senhor!... Urge, pois, nos voltemos para a Europa e para a América, onde, se
campeiam as inquietações e ansiedades, existe um desejo real de reforma, em favor da grande cooperação pelo bem comum da coletividade. Certo, essa renovação é sinônima de muitas dores e dos mais largos tributos de lágrimas e de sangue; mas, sobre as ruínas da civilização ocidental, deverá florescer no futuro uma sociedade nova, sobre a base da solidariedade e da paz, em todos os caminhos dos progressos humanos... Examinemos os resultados dos primeiros esforços do Consolador no Velho Mundo!..."
E os representantes dos exércitos de operários, que laboram nos diversos países da Europa e da
América, começaram a depor, sobre os seus trabalhos, no congresso do plano invisível, elucidando-os sinteticamente:
- "A França- exclamava um deles - berço do grande missionário e codificador da doutrina,
desvela-se pelo esclarecimento da razão, ampliando os setores da ciência humana, positivando a realidade de nossa sobrevivência, através dos mais avançados métodos de observação e de pesquisa. Lá se encontram ainda numerosos mensageiros do Alto, como Denis, Flammarion e Richet, clareando ao mundo os grandes caminhos filosóficos e científicos do porvir".
-"A Grã Bretanha- afirmava outro - multiplica os seus centros de estudo e de observação,
intensificando as experiências de Crookes e dissolvendo antigos preconceitos."
- "A Itália - asseverava novo mensageiro - teve com Lombroso o início de experiências decisivas.
O próprio Vaticano se interessa pela movimentação das idéias espiritistas, no seio das classes sociais,
onde foi estabelecido rigoroso critério de análise, no comércio com os planos invisíveis para o homem terrestre."
- "A Rússia, bem como outras regiões do Norte ¾ prosseguia outro emissário ¾ conseguira
com Aksakof a difusão de nossas verdades consoladoras. Até a corte do Czar se vem interessando nas experimentações
fenomênicas da doutrina."
- "A Alemanha - afirmava ainda outro - possui numerosos físicos que se preocupam cientificamente
com os problemas da vida e da morte, enriquecendo os nossos esforços de novas expressões de experiência
e cultura..."
Iam as exposições a essa altura, quando uma luz doce e misericordiosa inundou o ambiente da
reunião de sumidades do plano espiritual. Todos se calaram, tomados de emoção indizível, quando uma voz,
augusta e suave, falou, através das vibrações radiosas de que se tocava a grande assembléia:
- "Amados meus, não tendes para a propagação da palavra do Consolador, senão os recursos da
falível ciência humana? Esquecestes que os excessos do raciocínio prejudicaram o coração das ovelhas desgarradas
do grande rebanho? Não haverá verdade, sem humildade e sem amor, porque toda a realidade do Universo
e da vida deve chegar ao pensamento humano, antes de tudo, pela fé, ao sopro dos seus resplendores
eternos e divinos!... Operários do Evangelho: excelente é a ciência bem intencionada do mundo, mas não es
queçais o coração, em vossos labores sublimes... Procurai a nação da fraternidade e da paz, onde se movimenta
o povo mais emotivo do globo terrestre, e iniciai aí uma tarefa nova. Se o Cristo edificou a sua igreja sobre
a pedra segura e inabalável da fé que remove montanhas e se o Consolador significa a doutrina luminosa e
santa da esperança de redenção suprema das almas, todos os seus movimentos devem conduzir à caridade,
antes de tudo, porque sem caridade não haverá paz, nem salvação para o mundo que se perde!..."
Uma copiosa efusão de luzes, como bênçãos do Divino Mestre, desceu do Alto sobre a grande assembléia,
assim que o apóstolo do Senhor terminou a sua exortação comovida e sincera, luzes essas que se
dirigiam, como aluvião de claridades, para a Terra generosa e grande que repousa sob a luz gloriosa da
constelação do Cruzeiro.
E foi assim que a caridade selou, então, todas as atividades do Espiritismo brasileiro. Seus núcleos,
em todo o país, começaram a representar os centros de eucaristia divina para todos os desesperados e
para todos os sofredores. Multiplicaram-se as tendas de trabalho do Consolador, em todas as suas cidades
prestigiosas, e as receitas mediúnicas, os conselhos morais, os postos de assistência, as farmácias homeopatas gratuitas, os passes magnéticos, multiplicaram-se, em toda parte no Brasil, para a fusão de todos os trabalhadores, no mesmo ideal de fraternidade e de redenção pela caridade mais pura.

(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 5 de novembro de 1938).

Novas Mensagens - Espírito de Humberto de Campos

sábado, 9 de junho de 2012

AMARÁS SERVINDO

Ainda quando escutes alusões em torno da suposta decadência dos valores humanos, exaltando as forças das trevas, farás da própria alma lâmpada acesa para o caminho. 

Mesmo quando a ambição e o orgulho te golpeiem de suspeitas e de rancores o espírito desprevenido, amarás servindo sempre. 

Quando alguém te aponte os males do mundo, lembrar-te-ás dos que te suportaram as fraquezas da infância, dos que te auxiliaram a pronunciar a primeira oração, dos que te encorajaram os ideais de bondade no nascedouro, e daqueles outros que partiram da Terra, abençoando-te o nome, depois de repetidos exemplos de sacrifício para que pudesses livremente viver. Recordarás os benfeitores anônimos que te deram entendimento e esperança, prosseguindo fiel ao apostolado do amor e serviço que te legaram... 

Para isso, não te deterás na superfície das palavras. 

Colocar-te-ás na posição dos que sofrem, a fim de que faças por eles tudo aquilo que desejarias se te fizesse nas mesmas circunstâncias. 

Ante as vítimas da penúria, imagina o que seria de ti nos refúgios de ninguém, sob a ventania da noite, carregando o corpo exausto e dolorido a que o pão mendigado não forneceu suficiente alimentação; renteando com os doentes desamparados, reflete quanto te doeria o abandono sob o guante da enfermidade, sem a presença sequer de um amigo para minorar-te o peso da angústia; à frente das crianças despejadas na rua, pensa nos filhos amados que aconchegas ao peito, e mentaliza o reconhecimento que experimentarias por alguém que os socorresse se estivessem desvalidos na via pública; e, perante os irmãos caídos em criminalidade, avalia o suplício oculto que te rasgarias entranhas da consciência, se ocupasses o lugar deles, e medita no agradecimento que passarias a consagrar aos que te perdoassem os erros, escorando-te o passo, das sombras para a luz. 

Ainda mesmo quando te vejas absolutamente a sós, no trabalho de bem, sob a zombaria dos que se tresmalham temporariamente no nevoeiro da negação e do egoísmo, não esmorecerás. Crendo na misericórdia da Providência Divina e nas infinitas possibilidades de renovação do homem, seguirás Jesus, o Mestre e Senhor, que, entre a humildade e a abnegação, nos ensinou a todos que o amor e o serviço ao próximo são as únicas forças capazes de sublimar a inteligência para que o Reino de Deus se estabeleça em definitivo nos domínios do coração.



Obra: “Alma e Coração”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

O Devoto Desiludido

fato parece anedota, mas um amigo nos contou a pequena história que passamos para a frente, assegurando que o relato se baseia na mais viva realidade.

Hemetério Rezende era um tipo de crente esquisito, fixado à ideia de paraíso. Admitia piamente que aprece dispensava a boas obras, e que a oração ainda era o melhor meio de se forrar a qualquer esforço.

“Descansar, descansar!...” Na cabeça dele, isso era um refrão mental incessante. O cumprimento de mínimodever lhe surgia à vista por atividade sacrificial e, nas poucas obrigações que exercia, acusava-se por penitente desventurado, a lamentar-se por bagatelas. Por isso mesmo, fantasiava o “doce fazer nada” para depois damorte do corpo físico. O reino celeste, a seu ver, constituir-se-ia de espetáculos fascinantes de permeio com manjares deliciosos... Fontes de leite e mel, frutos e flores, a s e revelarem por milagres constantes, enxameariam aqui e ali, no éden dos justos...

Nessa expectativa, Rezende largou o corpo em idade provecta, a prelibar prazeres e mais prazeres.

Com efeitoespírito desencarnado, logo após o grande transe foi atraído, de imediato, para uma colônia decriaturas desocupadas e gozadoras que lhe eram afins, e aí encontrou o padrão de vida com que sonhara: preguiça louvaminheira, a coroar-se de festas sem sentido e a empanturrar-se de pratos feitos.

Nada a construir, ninguém a auxiliar...

As semanas se sobrepunham às semanas, quando, Rezende, que se supunha o céu, passou a sentir-se castigado por terrível desencanto. Suspirava por renovar-se e concluía que para isso lhe seria indispensável trabalhar...

Tomado de tédio e desilusão, não achava em si mesmo senão o anseio de mudança.

À face disso, esperou e esperou, e, quando se viu à frente de um dos comandantes do estranho burgoespiritual, arriscou, súplice:

- Meu amigo, meu amigo!... Quero agir, fazer algo, melhorar-me, esquecer-me!... Peço transformação, transformação!...

- Para onde deseja ir? – indagou o interpelado, um tanto sarcástico.

- Aspiro a servir, em favor de alguém... Nada encontro aqui para ser útil... Por piedade, deixe-me seguir para oinferno, onde espero movimentar-me e ser diferente...

Foi então que o enigmático chefe sorriu e falou, claro:

- Hemetério, você pede para descer ao inferno, mas escute, meu caro!... Sem responsabilidade, sem disciplina, sem trabalho, sem qualquer necessidade de praticar a abnegação, como vive agora, onde pensa você que já está?




Irmão X

domingo, 3 de junho de 2012

Aconteceu, na manha deste domingo, três de junho, o 22º Encontro sobre Eurípedes Barsanulfo. Momentos de confraternização, aprendizagem, reflexão e carinho. Agradecemos a Equipe do CELD, por ter levado o encontro e a Equipe da FOA por ter possibilitado o evento, bem como todos os participantes, razão maior do mesmo ter ocorrido.


Recepção dos participantes


Início do evento


fila do café da manhã


Oh, escolha difícil....


Mensagem e prece final.

domingo, 20 de maio de 2012

CASOS MEDIÚNICOS AUTÊNTICOS Retirados do livro: "EURÍPEDES BARSANULFO O APÓSTOLO DA CARIDADE" - Jorge Rizzini.

Um caso de hemorragia Em certa noite, a menina Itália entrou aflita na casa da sra. Vitorina Jesus, mãe de Jerônimo Cândido Gomide, dizendo: - Jerônimo! Ajude-me! Minha mãe está morrendo! Vá chamar o "seu" Eurípedes! - O que houve? - Minha mãe está toda ensangüentada! - Foi facada? - Não sei. E Jerônimo, ainda garoto, correu em busca de Eurípedes Barsanulfo. Quando ia contar-lhe o ocorrido viu o médium estender-lhe um pacote de remédios. - Isto é para a sra. Casimira. - O senhor não sabe o que aconteceu e já está dando os remédios? Ela foi golpeada, "seu" Eurípedes! E está morrendo... Eurípedes Barsanulfo sorriu. - Eu fui lá em espírito e ninguém agrediu a sra. Casimira. Quando o senhor ficar mais velho, "seu" Jerônimo, explicarei o que aconteceu com ela. Leve, agora, os remédios. E, na manhã seguinte, a mãe da menina Itália ficou curada da forte hemorragia uterina... O aluno que queria ver para crer Abramos um parêntese para chamar a atenção do leitor para o seguinte fato. O corpo espiritual de Eurípedes Barsanulfo, quando liberto do corpo somático, embora agindo sobre a matéria nem sempre se tornara tangível. Vamos apresentar novos exemplos que não devem, pois (apressamo-nos a repetir) ser interpretados como clarividência. São casos de “desdobramento”. O próprio Eurípedes, aliás, assim os considerava. Ora, Jerônimo Cândido Gomide, já com vinte e um anos de idade, tendo o físico robusto tornara-se enfermeiro dos obsidiados internados e zelador do Colégio Allan Kardec. Em certa manhã, viu ele o professor Eurípedes Barsanulfo sentado em uma cadeira em baixo do caramanchão florido do colégio e, julgando-o dormir, passou silencioso... - Onde vai o senhor, pisando como um gato? Disse o médium. - Estou pisando assim para não acordar o senhor. - “Seu” Jerônimo, segundos atrás estive em espírito na casa de Dona Mariquinha, no Zagaia; a filhinha dela, que tinha crupe morreu, não faz um minuto. Dona Mariquinha está me xingando e blasfemando contra Deus e Jesus. Jerônimo concordou com a cabeça, mas... Não acreditou. Se a menina ontem estava tão alegre! E, fingindo varrer o pátio, contornou o prédio e, sorrateiro, saiu à rua, correu em direção ao Zagaia e encontrou, realmente, a menina morta na cama e Dona Mariquinha, aos gritos, blasfemando. E regressou ao colégio; Eurípedes Barsanulfo continuava sentado na cadeira... - Venha cá, “seu” Jerônimo. É como eu disse ou não? - É, sim, senhor! Mas, como sabe que eu fui verificar? - Acompanhei-o em espírito. Pois é! Não se pode impedir o desencarne. A menina tinha que abandonar a terra, mas a mãe nada compreende das coisas de Deus e blasfema. Quanto ao senhor, “seu” Jerônimo, é um Tomé: só acredita, vendo... No próximo dia três de Junho, 22º Encontro Eurípedes Barsanulfo, com o tema: Eurípedes Barsanulfo, o Divulgador da Doutrina Espírita.

domingo, 13 de maio de 2012

Edição: 22ª Tema: Eurípedes Barsanulfo, o Divulgador da Doutrina Espírita Data:03/06/2011 Local: Fraternidade Oficina do Amor

terça-feira, 8 de maio de 2012

Eurípedes Barsanulfo

Nascido em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesmo cidade, aos 38 anos de idade, em 1o. de novembro de 1918. Logo cedo manifestou- se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas. Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre- escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou- se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu- se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida. Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas. Despertado e convicto, converteu- se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade. Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida. Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer- lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um. Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando- se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando- o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos. A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando- se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais. Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social. Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado. Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país. Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem- se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores. Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia- se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo. Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem. No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo. A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes. O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos. Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo- o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo. Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou- se dele e abraçou- o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes. Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria. Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1o. de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos. Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou- lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime. No dia três de junho teremos o encontro sobre Eurípedes, não percam