terça-feira, 11 de setembro de 2012

3º Festival de Música Espírita

A Mocidade Professor Leopoldo Machado realizará o 3º Festival de Música Espírita, tendo como artista principal o cantor Allan Filho.  O evento será realizado no dia 06 de outubro, com início às 20h, na quadra da Fraternidade Oficina do Amor.
O ingresso custa dez reais e já se encontra à venda.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A CARIDADE E A ORAÇÃO


“O Centro Espírita Luiz Gonzaga” ia seguindo para a frente... Certa feita, 

alguns populares chegaram à reunião pedindo socorro para um cego 

acidentado. 

O pobre mendigo, mal guiado por um companheiro ébrio, caíra sob o 

viaduto da Central do Brasil, na saída de Pedro Leopoldo para Matozinhos, 

precipitando-se ao solo, de uma altura de quatro metros. 

O guia desaparecera e o cego vertia sangue pela boca. 

       Sozinho, sem ninguém... 

       Chico alugou pequeno pardieiro, onde o enfermo foi asilado para 

tratamento médico. 

       Curioso facultativo receitou, graciosamente.

       Mas o velhinho precisava de enfermagem. 

       O médium velava junto dele à noite, mas durante o dia precisava atender 

às próprias obrigações na condição de caixeiro do Sr. José Felizardo. 

       Havia, por essa época, 1928, uma pequena folha semanal, em Pedro 

Leopoldo. 

       E Chico providenciou para que fosse publicada uma solicitação, rogando o 

concurso de alguém que pudesse prestar serviços ao cego Cecílio, durante o 

dia, porque à noite, ele próprio se responsabilizaria pelo doente. 

       Alguém que pudesse ajudar. 

       Não importava que o auxílio viesse de espíritas, católicos ou ateus. 

       Seis dias se passaram sem que ninguém se oferecesse. 

       Ao fim da semana, porém, duas meretrizes muito conhecidas na cidade se 

apresentaram e disseram-lhe: 

       — Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir... 

       — Ah! como não? — replicou o médium — Entrem, irmãs! Jesus há de 

abençoar-lhes a caridade. 

       Todas as noites, antes de sair, as mulheres oravam com o Chico, ao pé do 

enfermo. 

       Decorrido um mês, quando o cego se restabeleceu, reuniram-se pela 

derradeira vez, em prece, com o velhinho feliz. 

       Quando o Chico terminou a oração de agradecimento a Jesus, os quatro 

choravam. 

       Então, uma delas disse ao médium: 

       — Chico, a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. 

Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar.

       E uma passou a servir numa tinturaria, desencarnando anos depois e a 

outra conquistou o título de enfermeira, vivendo, ainda hoje, respeitada e feliz. 


LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER 
Ramiro Gama 

No dia 26 de agosto, ocorrerá na FOA o encontro sobre Chico Xavier, com início às 08:30 hs, compareçam.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dia de Deus


Pensando em Deus, pensa igualmente nos homens, nossos irmãos.

Detém-te, de modo especial, na simpatia e no amparo possível, em favor daqueles que se fizerem pais ou tutores.
As mães são sempre revelações angélicas de ternura, junto aos sonhos de cada filho, mas é preciso não esquecer que os pais também amam...
Esse perdeu a juventude, carregando as responsabilidades do lar; aquele se entregou a pesados sacrifícios, apagando a si mesmo, para que os filhos se titulassem com brilho na cultura terrestre; outros se escravizaram a filhinhos doentes; muitos foram banidos do refúgio doméstico, às vezes, pelos próprios descendentes, exilados que se acham em recantos de imaginário repouso, por trazerem a cabeça branca por fora, e, em muitas ocasiões alquebrada por dentro, sob a carga de lembranças difíceis que conservam em relação aos infortúnios que atravessaram para que a família sobrevivesse, e, ainda outros renunciaram à felicidade própria, a fim de se converterem nos guardais da alegria e da segurança de filhos alheios!...
Compadece-te de nossos irmãos, os homens, que não vacilaram em abraçar amargos compromissos, a benefício daqueles que lhes receberam os dons da vida.
Ainda mesmo aqueles que se transviaram ou enlouqueceram, sob a delinqüência, na maioria dos casos, nos merecem respeitoso apreço pelas nobres intenções que os fizeram cair.
A vida comunitária, na Terra de hoje, instituiu datas de homenagens às profissões e pessoas.
Lembrando isso, reconhecemos, por nós, que o Dia das Mães é o Dia do Amor, mas reconhecemos também que o Dia dos Pais é o Dia de Deus.
Pelo Espírito Emmanuel
XAVIER, Francisco Cândido. Seara de Fé. Espíritos Diversos. IDE.


A todos, um feliz Dia dos Pais, com muita paz e amor...  São os votos de toda FOA.

terça-feira, 17 de julho de 2012

ARRAIA DA FRATERNIDADE





       No ultimo sábado ocorreu mais uma edição do Arraiá da Fraternidade, desta vez organizado exclusivamente para as nossas crianças.  
         Não faltou de nada, muita diversão, gostosuras, brincadeiras e a escolinha apresentou a tradicional quadrilha.
           Mais uma vez agradecemos a todos que participaram e possibilitaram a realização do evento, doando prendas, trabalhando, doando comida e bebidas, sem o auxilio de cada um não conseguiríamos.
          Que Deus continue amparando e apoiando a todos nós



 Pescaria

 Nossos convidados de honra

  A Quadrilha

 Brincadeiras e animação

 Mais quadrilha

 Não faltaram gostosuras

Equipe unida

sábado, 30 de junho de 2012

O Valor de um Sorriso


Não custa nada e rende muito.

Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.

Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre.

Ninguém é tão rico que dele não precise. Ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos.

Leva a felicidade a todos e a toda parte.

É o símbolo da amizade, da boa vontade. É alento para os desanimados, repouso para os cansados, raio de sol para os tristes, consolo para os desesperados.

Não se compra nem se empresta.

Nenhuma moeda do mundo pode pagar seu valor.

Você já sabe do que se trata?

Trata-se de um sorriso.

E não há ninguém que precise tanto de um sorriso como aqueles que não sabem mais sorrir.

Aqueles que perderam a esperança. Os que vagueiam sem rumo. Os que não acreditam mais que a felicidade é algo possível.

É tão fácil sorrir! Tudo fica mais agradável se em nossos lábios há um sorriso.

Tudo fica mais fácil se houver nos lábios dos que convivem conosco um sorriso sincero.

Alguns de nós pensamos que só devemos sorrir para as pessoas com as quais simpatizamos.

São tantas as que cruzam nosso caminho diariamente. Algumas com o cenho carregado por levar no íntimo as amarguras da caminhada áspera. Poderemos colaborar com um sorriso aberto, no mínimo para que essa pessoa se detenha e perceba que alguém lhe sorri, já que o sorriso é um alento.

Sorrir ao atender os pequeninos que acorrem nos semáforos à procura de moedas.

É tão triste ter que mendigar e mais triste ainda é receber palavras e gestos agressivos como resposta.

Se é verdade que essa situação nos incomoda, não é menos verdade que não gostaríamos de estar no lugar deles.

Eles são tão pequeninos!

Se têm a malícia dos adultos é porque os adultos os induzem a isso. Mas no íntimo são inocentes treinados para parecer espertos, em meio às situações mais adversas.

O sorriso é uma arma poderosa, da qual nos podemos servir em todas as situações.

Se, ao levantarmos pela manhã, cumprimentarmos os familiares com um largo sorriso, nosso dia certamente será melhor, mais alegre.

Se, ao entrarmos no elevador, saudarmos com um sorriso os que seguem conosco, ao invés de fecharmos o rosto e olharmos para cima ou para baixo, na tentativa de desviar os olhares, com certeza o nosso dia será mais feliz. Porque todos nos verão com simpatia e nos endereçarão energias salutares.

O sorriso é sempre bom para quem sorri e melhor ainda para quem o recebe.

O sorriso tem o poder de fazer mais amena a nossa caminhada.

Dessa forma, se não temos o hábito de levar a vida sorrindo, comecemos a cultivá-lo, e veremos que sem que mude a situação à nossa volta, nós, intimamente, nos sentiremos mais felizes.

O cenho carregado, ou seja, a cara amarrada, como se costuma dizer, traz ao corpo um desgaste maior que o promovido pelo sorriso.

Isto quer dizer que, quando sorrimos, utilizamos menos músculos e fazemos menos esforços.

Assim sendo, até por uma questão de economia, é mais vantajoso sorrir.

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel


terça-feira, 26 de junho de 2012

NO SERVIÇO CRISTÃO



“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que
cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, o bem ou o mal.”
— Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 5, VERSÍCULO 10.)
Não falta quem veja no Espiritismo mero campo de experimentação
fenomênica, sem qualquer significação de ordem moral para as criaturas.
Muitos aprendizes da Consoladora Doutrina, desse modo, limitam-se às
investigações de laboratório ou se limitam a discussões filosóficas.
É imperioso reconhecer, todavia, que há tantas categorias de homens
desencarnados, quantas são as dos encarnados.
Entidades discutidoras, levianas, rebeldes e inconstantes transitam em toda
parte. Além disso, incógnitas e problemas surgem para os habitantes dos dois
planos.
Em vista de semelhantes razões, os adeptos do progresso efetivo do
mundo, distanciados da vida física, pugnam pelo Espiritismo com Jesus,
convertendo-nos o intercambio em fator de espiritualidade santificante.
Acreditamos que não se deve atacar outro círculo de vida, quando não nos
encontramos interessados em melhorar a personalidade naquele em que
respiramos.
Não vale pesquisar recursos que não nos dignifiquem.
Eis por que para nós outros, que supomos trazer o coração acordado para a
responsabilidade de viver, Espiritismo não ezpressa simples convicção de
imortalidade: é clima de serviço e edificação.
Não adianta guardar a certeza na sobrevivência da alma, além da morte,
sem o preparo terrestre na direção da vida espiritual. E nesse esforço de
habilitação, não dispomos de outro guia mais sábio e mais amoroso que o
Cristo.
Somente à luz de suas lições sublimes, é possível reajustar o caminho,
renovar a mente e purificar o coração.
Nem tudo o que é admirável é divino.
Nem tudo o que é grande é respeitável.
Nem tudo o que é belo é santo.
Nem tudo o que é agradável é útil.
O problema não é apenas de saber. É o de reformar-se cada um para a
extensão do bem.
Afeiçoemo-nos, pois, ao Evangelho sentido e vivido, compreendendo o
imperativo de nossa iluminação interior, porque, segundo a palavra oportuna e
sábia do Apóstolo, “todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, a fim
de recebermos, de acordo com o que realizamos, estando no corpo, o bem ou
o mal”.
EMMANUEL
Pedro Leopoldo, 22 de fevereiro de 1950.



PÃO NOSSO
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

terça-feira, 19 de junho de 2012

História de um médium



As observações interessantes sobre a doutrina dos Espíritos sucediam-se umas às outras, quando
um amigo nosso, velho lidador do Espiritismo, no Rio de Janeiro, acentuou, gravemente:
- "Em Espiritismo, uma das questões mais sérias é o problema do médium..."
- "Sob que prisma?" ¾ Indagou um dos circunstantes.
- "Quanto ao da necessidade de sua própria edificação para vencer o meio."
- "Para esclarecer a minha observação ¾ continuou o nosso amigo ¾ contar-lhe-ei a história
de um companheiro dedicado, que desencarnou, há poucos anos, sob os efeitos de uma obsessão terrível e
dolorosa."
Todo o grupo, lembrando os hábitos antigos, como se ainda estacionássemos num ambiente terrestre,
aguçou os ouvidos, colocando-se à escuta:
- "Azarias Pacheco ¾ começou o narrador ¾ era um operário despreocupado e humilde do
meu bairro, quando as forças do Alto chamaram o seu coração ao sacerdócio mediúnico. Moço e inteligente,
trabalhava na administração dos serviços de uma oficina de consertos, ganhando, honradamente, a remuneração
mensal de quatrocentos mil réis.
Em vista do seu espírito de compreensão geral da vida, o Espiritismo e a mediunidade lhe abriram
um novo campo de estudos, a cujas atividades se entregou sob uma fascinação crescente e singular.
Azarias dedicou-se amorosamente à sua tarefa, e, nas horas de folga, atendia aos seus deveres
mediúnicos com irrepreensível dedicação. Elevados mentores do Alto forneciam lições proveitosas, através de
suas mãos. Médicos desencarnados atendiam, por ele, a volumoso receituário.
E não tardou que o seu nome fosse objeto de geral admiração.
Algumas notas de imprensa evidenciaram ainda mais os seus valores medianímicos e, em pouco
tempo, a sua residência humilde povoava-se de caçadores de anotações e de mensagens. Muitos deles diziam-se
espíritas confessos, outros eram crentes de meia-convicção ou curiosos do campo doutrinário.
O rapaz, que guardava sob a sua responsabilidade pessoal numerosas obrigações de família, começou
a sacrificar primeiramente os seus deveres de ordem sentimental, subtraindo à esposa e aos filhinhos as
horas que habitualmente lhes consagrava, na intimidade doméstica.
Quase sempre cercado de companheiros, restavam-lhe apenas as horas dedicadas à conquista de
seu pão cotidiano, com vistas aos que o seguiam carinhosamente pelos caminhos da vida.
Havia muito tempo perdurava semelhante situação, em face de sua precisosa resistência espiritual,
no cumprimento de seus deveres.
Dentro de sua relativa educação medianímica, Azarias encontrava facilidade para identificar a
palavra de seu guia sábio e incansável, sempre a lhe advertir quanto à necessidade de oração e de vigilância.
Acontece, porém, que cada triunfo multiplicava as suas preocupações e os seus trabalhos.
Os seus admiradores não queriam saber das circunstâncias especiais de sua vida.
Grande parte exigia as suas vigílias pela noite a dentro, em longas narrativas dispensáveis. Outros
alegavam os seus direitos às exclusivas atenções do médium. Alguns acusavam-no de preferências injustas,
manifestando o gracioso egoísmo de sua amizade expressando o ciúme que lhes ia n'alma, em palavras
carinhosas e alegres. Os grupos doutrinários disputavam-no.
Azarias verificou que a sua existência tomava um rumo diverso, mas os testemunhos de tantos
afetos lhe eram sumamente agradáveis ao coração.
Sua fama corria sempre. Cada dia era portador de novas relações e novos conhecimentos.
Os centros importantes começaram a reclamar a sua presença e, de vez em quando, surpreendiam-
no as oportunidades das viagens pelos caminhos de ferro, em face da generosidade dos amigos, com grandes
reuniões de homenagens, no ponto de destino.
A cada instante, um admirador o assaltava:
- "Azarias, onde trabalha você?..."
- "Numa oficina de consertos."
- "Ó! Ó!... e quanto ganha por mês?"
- "Quatrocentos mil réis."
- "Ó! mas isso é um absurdo... Você não é criatura para um salário como esse! Isso é uma miséria!...”
Em seguida outros ajuntavam:
- "O Azarias não pode ficar nessa situação. Precisamos arranjar-lhe coisa melhor no centro da
cidade, com uma remuneração à altura de seus méritos ou, então, poderemos tentar-lhe uma colocação no
serviço público, onde encontrará mais possibilidades de tempo para dedicar-se à missão...”
O pobre médium, todavia, dentro de sua capacidade de resistência, respondia:
- "Ora, meus amigos, tudo está bem. Cada qual tem na vida o que mereceu da Providência Divina
e, além de tudo, precisamos considerar que o Espiritismo tem de ser propagado, antes do mais, pelos
Espíritos e não pelos homens!...”
Azarias, contudo, se era médium, não deixava de ser humano.
Requisitado pelas exigências dos companheiros, já nem pensava no lar e começava a assinalar na
sua ficha de serviços faltas numerosas.
A princípio, algumas raras dedicações começaram a defendê-lo na oficina, considerando que, aos
olhos dos chefes, suas falhas eram sempre mais graves que as dos outros colegas, em virtude do renome que o
cercava; mas, um dia, foi ele chamado ao gabinete de seu diretor que o despediu nestes termos:
"Azarias, infelizmente não me é possível conservá-lo aqui, por mais tempo. Suas faltas no trabalho
atingiram o máximo e a administração central resolveu eliminá-lo do quadro de nossos companheiros."
O interpelado saiu com certo desapontamento, mas lembrou-se das numerosas promessas dos amigos.
Naquele mesmo dia, buscou providenciar para um nova colocação, mas, em cada tentativa, encontrava
sempre um dos seus admiradores e conhecidos que obtemperava:
- "Ora Azarias, você precisa ter mais calma!... Lembre-se de que a sua mediunidade é um patrimônio
de nossa doutrina... Sossega, homem de Deus!... Volte à casa e nós todos saberemos ajudá-lo neste
transe."
Na mesma data, ficou assentado que os amigos do médium se cotizariam, entre si, de modo que
ele viesse a perceber uma contribuição mensal de seiscentos mil réis, ficando, desse modo, habilitado a viver
tão somente para a doutrina.
Azarias, sob a inspiração de seus mentores espirituais, vacilava ante a medida, mas à frente de
sua imaginação estavam os quadros do desemprego e das imperiosas necessidades da família.
Embora a sua relutância íntima, aceitou o alvitre.
Desde então, a sua casa foi o ponto de uma romaria interminável e sem precedentes. Dia e noite,
seus consulentes estacionavam à porta. O médium buscava atender a todos como lhe era possível. As suas
dificuldades, todavia, eram as mais prementes.
Ao cabo de seis meses, todos os seus amigos haviam esquecido o sistema das cotas mensais.
Desorientado e desvalido, Azarias recebeu os primeiros dez mil réis que uma senhora lhe ofereceu
após o receituário. No seu coração, houve um toque de alarma, mas o seu organismo estava enfraquecido. A
esposa e os filhos estavam repletos de necessidades.
Era tarde para procurar, novamente, a fonte do trabalho. Sua residência era objeto de uma perseguição
tenaz e implacável. E ele continuou recebendo.
Os mais sérios distúrbios psíquicos o assaltaram.
Penosos desequilíbrios íntimos lhe inquietavam o coração, mas o médium sentia-se obrigado a
aceitar as injunções de quantos o procuravam levianamente.
Espíritos enganadores aproveitaram-se de suas vacilações e encheram-lhe o campo mediúnico de
aberrações e descontroles.
Se as suas ações eram agora remuneradas e se delas dependia o pão dos seus, Azarias se sentia
na obrigação de prometer alguma coisa, quando os Espíritos não o fizessem. Procurado para a felicidade no
dinheiro, ou êxito nos negócios ou nas atrações do amor do mundo, o médium prometia sempre as melhores
realizações, em troca dos míseros mil réis da consulta.
Entregue a esse gênero de especulações, não mais pode receber o pensamento dos seus protetores
espirituais mais dedicados.
Experimentando toda sorte de sofrimentos e de humilhações, se chegava a queixar-se, de leve,
havia sempre um cliente que lhe observava:
- "Que é isso, "seu" Azarias?... O senhor não é médium? Um médium não sofre essas coisas!...
Se alegava cansaço, outro objetava, de pronto, ansioso pela satisfação de seus caprichos:
- "E a sua missão, "seu" Azarias?... Não se esqueça da caridade!..."
E o médium, na sua profunda fadiga espiritual, concentrava-se, em vão, experimentando uma
sensação de angustioso abandono, por parte dos seus mentores dos planos elevados.
Os mesmos amigos da véspera piscavam, então, os olhos, falando, em voz baixa, após as despedidas:
- "Você já notou que o Azarias perdeu de todo a mediunidade?..." - Dizia um deles.
- "Ora, isso era esperado - redargüia-se -desde que ele abandonou o trabalho para viver à
custa do Espiritismo, não podíamos aguardar outra coisa."
- "Além disso - exclamava outro do grupo - todos os vizinhos comentam a sua indiferença
para com a família, mas, de minha parte sempre vi no Azarias um grande obsidiado."
- "O pobre do Azarias perverteu-se - falava ainda um companheiro mais exaltado - um
médium nessas condições é um fracasso para a própria doutrina..."
- "É por essa razão que o Espiritismo é tão incompreendido! - sentenciava ainda outro ¾-Devemos
tudo isso aos maus médiuns que envergonham os nossos princípios."
Cada um foi esquecendo o médium, com a sua definição e a sua falta de caridade. A própria família
o abandonou à sua sorte, tão logo haviam cessado as remunerações.
Escarnecido em seus afetos mais caros, Azarias tornou-se um revoltado.
Essa circunstância foi a última porta para o livre ingresso das entidades perversas que se assenhorearam
de sua vida.
O pobre náufrago da mediunidade perambulou na crônica dos noticiários, rodeado de observações
ingratas e de escandalosos apontamentos, até que um leito de hospital lhe concedeu a bênção da morte..."
O narrador estava visivelmente emocionado, rememorando as suas antigas lembranças.
- "Então, quer dizer, meu amigo - observou um de nós - que a perseguição da polícia ou a
perseguição do padre não são os maiores inimigos da mediunidade"...
- "De modo algum. - Replicou ele, convicto. - O Padre e a política podem até ser os portadores
de grandes bens."
E, fixando em nós outros o seu olhar percuciente e calmo, rematou a sua história, sentenciando,
gravemente:
- "O maior inimigo dos médiuns está dentro de nossos próprios muros!..."
(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 29 de abril de 1939).


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