segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DA CONVERSAÇÃO A CARIDADE DESCONHECIDA

A conversação em casa de Pedro versava, nessa noite, sobre a prática do bem,
com a viva colaboração verbal de todos.
Como expressar a compaixão, sem dinheiro? Por que meios incentivar a
beneficência, sem recursos monetários?
Com essas interrogativas, grandes nomes da fortuna material eram invocados e
a maioria inclinava-se a admitir que somente os poderosos da Terra se encontravam à
altura de estimular a piedade ativa, quando o Mestre interferiu, opinando, bondoso:
— Um sincero devoto da Lei foi exortado por determinações do Céu ao exercício
da beneficência; entretanto, vivia em pobreza extrema e não podia, de modo algum,
retirar a mínima parcela de seu salário para o socorro aos semelhantes.
Em verdade, dava de si mesmo, quanto possível, em boas palavras e gestos
pessoais de conforto e estímulo a quantos se achavam em sofrimento e dificuldade;
porém, magoava-lhe o coração a impossibilidade de distribuir agasalho e pão com os
andrajosos e famintos à margem de sua estrada.
Rodeado de filhinhos pequeninos, era escravo do lar que lhe absorvia o suor.
Reconheceu, todavia, que, se lhe era vedado o esforço na caridade pública,
podia perfeitamente guerrear o mal, em todas as circunstâncias de sua marcha pela
Terra.
Assim é que passou a extinguir, com incessante atenção, todos os pensamentos
inferiores que lhe eram sugeridos; quando em contacto com pessoas interessadas na
maledicência, retraía-se, cortês, e, em respondendo a alguma interpelação direta,
recordava essa ou aquela pequena virtude da vítima ausente; se alguém, diante dele,
dava pasto à cólera fácil, considerava a ira como enfermidade digna de tratamento e
recolhia-se à quietude; insultos alheios batiam-lhe no espírito à maneira de calhaus em
barril de mel, porquanto, além de não reagir, prosseguia tratando o ofensor com a
fraternidade habitual; a calúnia não encontrava acesso em sua alma, de vez que toda
denúncia torpe se perdia, inútil, em seu grande silêncio; reparando ameaças sobre a
tranqüilidade de alguém, tentava desfazer as nuvens da incompreensão, sem alarde,
antes que assumissem feição tempestuosa; se alguma sentença condenatória bailava em
torno do próximo, mobilizava, espontâneo, todas as possibilidades ao seu alcance na
defesa delicada e imperceptível; seu zelo contra a incursão e a extensão do mal era tão
fortemente minucioso que chegava a retirar detritos e pedras da via pública, para que
não oferecessem perigo aos transeuntes.
Adotando essas diretrizes, chegou ao termo da jornada humana, incapaz de
atender às sugestões da beneficência que o mundo conhece. Jamais pudera estender
uma tigela de sopa ou ofertar uma pele de carneiro aos irmãos necessitados.
Nessa posição, a morte buscou-o ao tribunal divino, onde o servidor humilde
compareceu receoso e desalentado.
Temia o julgamento das autoridades celestes, quando, de improviso, foi
aureolado por brilhante diadema, e, porque indagasse, em lágrimas, a razão do
inesperado prêmio, foi informado de que a sublime recompensa se referia à sua
triunfante posição na guerra contra o mal, em que se fizera valoroso empreiteiro.
Fixou o Mestre nos aprendizes o olhar percuciente e calmo e concluiu, em tom
amigo:
— Distribuamos o pão e a cobertura, acendamos luz para a ignorância e
intensifiquemos a fraternidade aniquilando a discórdia, mas não nos esqueçamos do
combate metódico e sereno contra o mal, em esforço diário, convictos de que, nessa
batalha santificante, conquistaremos a divina coroa da caridade desconhecida.

Neio Lúcio

-*-
Triunfa, em qualquer lugar,
Quem conserva por dever
O hábito de calar
O que é preciso esquecer.

Marcelo Gama

-*-

A vida nas Leis da Vida,
Em tudo se mostrará,
Tirando o que se lhe tira,
Doando o que se lhe dá.

Silveira Sampaio

-*-
Sua conversação dirá das diretrizes que você escolheu na vida.

André Luiz


Do livro - Idéia e Ilustrações - Psicografia de Francisco Cândido Xavier
por Espíritos Diversos

sábado, 29 de janeiro de 2011

Amigo Ingrato

Causa-te surpresa o fato de ser o teu acusador de agora, o amigo aturdido de ontem, que um dia pediu-te abrigo ao coração gentil e ora não te concede ensejo, sequer, para esclarecimentos.

Despertas, espantado, ante a relação de impiedosas queixas que guardava de ti, ele que recebeu, dos teus lábios e da tua paciência, as excelentes lições de bondade e de sabedoria, com as quais cresceu emocional e culturalmente.

Percebes, acabrunhado, que as tuas palavras foram, pelo teu amigo, transformadas em relhos com os quais, neste momento, te rasga as carnes da alma, ele, que sempre se refugiou no teu conforto moral.

Reprocha-te a conduta, o companheiro que recebeste com carinho, sustentando-lhe a fragilidade e contornando as suas reações de temperamento agressivo.

Tornou-se, de um para outro momento, dono da verdade e chama-te mentiroso.

Ofereceste-lhe licor estimulante e recebes vinagre de volta.

Doaste-lhe coragem para a luta, e retribui-te com o desânimo para que fracasses.

Ele pretende as estrelas e empurra-te para o pântano.

Repleta-se de amor e descarrega bílis na tua memória, ameaçando-te sem palavras.

*

Não te desalentes!

O mundo é impermanente.

O afeto de hoje torna-se o adversário de amanhã.

As mãos que perfumas e beijas, serão, talvez, as que te esbofetearão, carregadas de urze.

*

Há mais crucificadores do que solidários na via de redenção.

Esquecem-se, os homens, do bem recebido, transformando-se em cobradores cruéis, sem possuírem qualquer crédito.

Talvez o teu amigo te inveje a paz, a irrestrita confiança em Deus, e, por isto, quer perturbar-te.

Persevera, tranqüilo!

Ele e isto, esta provação, passarão logo, menos o que és, o que faças.

Se erraste, e ele te azorraga, alegra-te, e resgata o teu equívoco.

Se estás inocente, credita-lhe as tuas dores atuais, que te aprimoram e te aproximam de Deus.

*

Não lhe guardes rancor.

Recorda que foi um amigo, quem traiu e acusou Jesus; outro amigo negou-O, três vezes consecutivas, e os demais amigos fugiram dEle.

Quase todos O abandonaram e O censuraram, tributando-Lhe a responsabilidade pelo medo e pelas dores que passaram a experimentar. Todavia, Ele não os censurou, não os abandonou e voltou a buscá-los, inspirá-los e conduzi-los de volta ao reino de Deus, por amá-los em demasia.

Assim, não te permitas afligir, nem perturbar pelas acusações do teu amigo, que está enfermo e não sabe, porque a ingratidão, a impiedade e a indiferença são psicopatologias muito graves no organismo social e humano da Terra dos nossos dias.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1990.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O culto cristão no lar


Povoara-se o firmamento de estrelas, dentro da noite prateada de luar, quando o Senhor,
instalado provisoriamente em casa de Pedro, tomou os Sagrados Escritos e, como se quisesse
imprimir novo rumo à conversação que se fizera improdutiva e menos edificante, falou com
bondade:
— Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada
dia?
O apóstolo pensou alguns momentos e respondeu, hesitante:
— Mestre, naturalmente, escolhemos os peixes melhores. Ninguém compra os resíduos
da pesca.
Jesus sorriu e perguntou, de novo:
— E o oleiro? que faz para atender à tarefa a que se propõe?
— Certamente, Senhor — redargüiu o pescador, intrigado —, modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.
O Amigo Celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:
— E como procede o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?
O interlocutor, muito simples, informou sem vacilar:
— Lavrará a madeira, usará a enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo,
não aperfeiçoará a peça bruta.
Calou-se Jesus, por alguns instantes, e aduziu:
— Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o
primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida
comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco
sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranqüila
sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se
não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?
Se nos não habituamos a amar o irmão pais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como
respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?
Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:
— Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna,
uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento
para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos
a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa
no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo
domicílio dos pastores e dos animais.
Simão Pedro fitou no Mestre os olhos humildes e lúcidos e, como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:
— Mestre, seja feito como desejas.
Então Jesus, convidando os familiares do apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão no lar.

Jesus no Lar Pelo Espírito de Neio Lúcio Franciso C Xavier

Da mesma forma que nos preocupamos em manter a segurança material do nosso lar, comprando trancas, alarmes modernos, câmeras, entre outras parafernálias, temos que ter a mesma preocupação quanto a segurança e equilibrio espiritual.
Criemos o hábito do Culto Cristão no Lar, transformemos nossa casa, melhorando as vibrações, as companhias, a responsabilidade é de cada um de nós.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor Fraternal

"Permaneça o amor fraternal."
Paulo (Hebreus, 13:1)

As afeições familiares, os laços consangüíneos, as simpatias naturais podem ser manifestações muitos santas da alma, quando a criatura as eleva no altar do sentimento superior, contudo, é razoável que o espírito não venha a cair sob o peso das inclinações próprias.

O equilíbrio é a posição ideal.

Por demasia de cuidado, inúmeros pais prejudicam os filhos.

Por excesso de preocupações, muitos cônjuges descem às cavernas do desespero, defrontados pelos insaciáveis monstros do ciúme que lhes aniquilam a felicidade.

Em razão da invigilância, belas amizades terminam em abismo de sombra.

O apelo evangélico, por isto mesmo, reveste-se de imensa importância.

A fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas de relações entre as almas.

O homem que se sente filho de Deus e sincero irmão das criaturas não é vítima dos fantasmas do despeito, da inveja, da ambição, da desconfiança. Os que se amam fraternalmente alegram-se com o júbilo dos companheiros; sentem-se felizes com a ventura que lhes visita os semelhantes.

Afeições violentas, comumente conhecidas na Terra, passam vulcânicas e inúteis.

Na teia das reencarnações, os títulos afetivos modificam-se constantemente. É que o amor fraternal, sublime e puro, representando o objetivo supremo do esforço de compreensão, é a luz imperecível que sobreviverá no caminho eterno.

* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pão Nosso.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
17a edição. Lição 141. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CURSOS OBRAS BÁSICAS

Tivemos, em vinte e quatro de janeiro, a primeira aula dos respectivos cursos das Obras Básicas. Nos cursos, conforme tem sido dito, temos a oportunidade de aprofundarmos questões, debatermos e buscarmos o convencimento a respeito do Espiritismo, além de termos a oportunidade de aproximarmos e conhecermos melhor os irmãos de doutrina que frequentam a mesma casa que nós, exercitando assim o ensinamento do Espitito da Verdade que nos orienta "amai-vos e instruí-vos".


Livro "O Céu e o Inferno"

Livro " O Evangelho Segundo Espiritismo"

Livro "A Gênese"


"Livro dos Médiuns"

"O Livro dos Espíritos"

Ainda dá tempo, não perca a oportunidade de frequentar um dos cursos das Obras Básica, lembrando que ocorrem toda segunda, de dezenove e trinta às vinte e uma e trinta, e que orientamos que o primeiro curso seja o do Livro dos Espíritos.

domingo, 23 de janeiro de 2011

MOCIDADE PROF LEOPOLDO MACHADO

No último dia dezesseis, retornaram as atividades da Mocidade Espírita Professor Leopoldo Machado, mesmo com algumas ausências os jovens retornaram com a "corda toda", com aquela energia própria da idade e organizando a festa de boas vindas, que ocorreu no dia vinte e três. Jovens a partir de doze anos, estão convidados a participar da Mocidade, que tem reuniões aos domingos, dezenove horas.


Integrantes da Mocidade durante o "bate-papo"



Descontração e alegria fazem parte do Espiritismo....

sábado, 22 de janeiro de 2011

A Galinha Afetuosa

Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espal­mou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosa­mente. De quando em quando, beijava-o, enter­necida. Se saia a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse calor vitalizante. E pensava, garbosa: - "Será meu pintinho! será meu filho!"

Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto.

Criou-o, com todos os cuidados. No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente. Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um pato arisco e fujão.

A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.

Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintainho qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se dum corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.

A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só, foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapítulou as esperanças maternas e chocou-o. Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam. Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.

A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.

A carinhosa ave, dessa vez, desesperou em definitivo. Saiu do galinheiro gritando e dispunha-se a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.

A mísera respondeu, historiando o próprio caso.

A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e considerou, cacarejando:

- Que é isto, amiga? não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes. Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?

A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma, ao grande parque avícola a que se filiava.

O caminho humano estende-se, repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto. Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos.

Não nos aflijamos, porém.

A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou a tristeza do degrau em que se colocou.

Amemos sem o egoísmo da posse e sem qual­quer propósito de recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Alvorada Cristã. Ditado pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

EM QUE PERSEVERAS?

"E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão e no partir do pão e
nas orações." - (ATOS, 2:42.)
Observadores menos avisados pretendem encontrar inteira negação de
espiritualidade nos acontecimentos atuais do Planeta.
Acreditam que a época das revelações sublimes esteja morta, que as portas
celestiais permaneçam cerradas para sempre.
E comentam entusiasmados, como se divisassem um paraíso perdido, os
resplendores dos tempos apostólicos, quando um pugilo de cristãos renovou os
princípios seculares do mais poderoso império do mundo.
Asseveram muitos que o Céu estancou a fonte das dádivas, esquecendo-se de que
a generalidade dos crentes entorpeceu a capacidade de receber.
Onde a coragem que revestia corações humildes, à frente dos leões do circo? onde
a fé que punha afirmações imortais na boca ferida dos mártires anônimos? onde os sinais
públicos das vozes celestiais? onde os leprosos limpos e os cegos curados?
As oportunidades do Senhor continuam fluindo, incessantes, sobre a Terra.
A misericórdia do Pai não mudou.
A Providência Divina é invariável em todos os tempos.
A atitude dos cristãos, na atualidade, porém, é muito diferente. Raríssimos
perseveram na doutrina dos apóstolos, na comunhão com o Evangelho, no espírito de
fraternidade, nos serviços da fé viva. A maioria prefere os chamados "pontos de vista",
comunga com o personalismo destruidor, fortalece a raiz do egoísmo e raciocina sem
iluminação espiritual.
A Bondade do Senhor é constante e imperecível. Reparemos, pois, em que direção
somos perseverantes.
Antes de aplaudir os mais afoitos, procuremos saber se estamos com a
volubilidade dos homens ou com a imutabilidade do Cristo.

Livro: Vinha de Luz
Emmanuel / F.C. Xavier